quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

LUIZA ERUNDIDA: mulher cabra-da-peste, valente como Maria Bonita, persiste, milagrosa: fez uma vida política inteira, de décadas, com vitórias e derrotas, que nunca a afastaram da dignidade, do respeito a todos e a si mesma.Seu grande milagre: mulher, nordestina, solteira, cara talhada a faca, tornou-se uma excelente Prefeita de São Paulo, compondo uma equipe de trabalho de altíssimo nível (não valendo comparar com "ministérios" dos tempos de hoje. Deixou de agradar a direção do PT, o partido puritano da época, que não a aceitou negociando (a sério) com empreiteiros e depois assumindo cargo no governo Itamar Franco. O puritanismo exagerado, como soe acontecer, foi se transformando em pândega, e o aperto de mão com Paulo Salim não foi engolido por ela, e nem pelos petistas de caras limpas. Luiza Erundida prossegue a sua vida política no PSB, um partido dúbio e discutível. Certo é que, sem ela e na prática sem Suplicy, o PT caminhou para crescentes equívocos, e hoje cobram de Lula um preço muito alto. Tendo como sucessor o tão querido dos paulistanos diferenciados, Paulo Salim, de um de seus assessores ouvi: "Erundina fez uma ótima administração; mas ela é séria, séria demais."
Depois de ter sido humilhado durante 20 anos por uma Ditadura que transformou o Congresso em "casa de tolerância", devendo eleger os generais indicados pelo Estado Maior das Forças Armadas, sendo posto em recesso sempre que foi essa a vontade do ditador de plantão, e calando-se diante de todos os descalabros cometidos na economia, no plano social, no superfaturamento de obras, depois disso tudo o Congresso aceitou a humilhação de ser presidido por um ladrão primário e sórdido. A demora em tomar providências permitiu a esse pequeno verme propor as medidas as mais sórdidas e praticar uma incrível variedade de infâmias.
O PT foi conivente nisso tudo. Falhou miseravelmente, quando montou alianças espúrias e inúteis, que não evitaram a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Acovardou-se, a começar de Lula, tudo indicando que até o final tentou negociar com ele, pondo de lado quaisquer valores éticos. Lula se pôs no mesmo nível de Cunha: "muitas vezes não podemos escolher o companheiro".
Ao tomar posição agora, tarde demais para se apresentar com alguma compostura, o PT corre o risco das manobras de Cunha, associando-se ao grandes criminosos da Nação, FHC e Aécio Neves, na tentativa de um golpe branco. Mesmo com o Congresso prostituído, essa é uma tarefa quase impossível, pois que o impedimento da Presidente só se dará com a decisão da maioria de 2/3: os deputados e senadores dependem dos cidadãos que os elegem e sabem que essa atitude criminosa os condenaria, encerrando suas carreiras. Essa infâmia conta com um único apoio, o da imprensa.
Nessa ópera bufa, de final ainda incerto, e com o risco de tornar-se uma peça trágica, é muito triste constatar o tamanho com que ficou a imagem de Lula e do partido que ele burocratizou, stalinizou, perdendo o rumo das coisas, embriagado pelo personalismo que alimentou com olhar a admiração e respeito do povo brasileiro, ele confundiu com endeusamento."
sobre a presidenta

A presidente Dilma disse pela primeira vez sobre a prisão de seu líder no Senado, Dulcídio, a figura que veio do Mato Grosso do Sul, descoberta preciosa do ZECA DO PT. Declarou-se perplexa, o que é muito difícil de entender. Mas ela prometeu que voltará ao assunto. Ela tem obrigação de fazer isso. É certo que mesmo o mais acirrado adversário político dirá sobre a ombridade da Presidente, ninguém a suporá como agente de qualquer ação desonesta. Não caberia em sua figura. Mas como sustentar que ficou perplexa? Perplexa por ele ter sido preso, que afinal é um senador da República? perplexa por ver no seu líder um bandido? A expressão "perplexa" carece de explicação. Impossível que ela não saiba de Zeca do PT, figura antológica de político criminoso, que desonra demais esse PT. Qual PT? O PT do Lula, lá de São Bernardo do Campo, enfrentando e derrotando a ditadura dos generais? ou o Lula que entende necessário aceitar "companheiros" torpes, como Paulo Salim, por exemplo? Zeca do PT teve que responder à Justiça por superfaturamento de obras, pelo desvio de verbas de propaganda, de prática exagerada de nepotismo. Perdeu na Justiça a aposentadoria que deu a si mesmo ao deixar o Governo. Dilma Rousseff sabe disso tudo e fica indignada como todos nós ficamos. Mas o Zeca do PT foi quem descobriu uma preciosidade para o partido, o homem que pulverizou a CPI dos Correios, o homem que negociou e fez desaparecerem os processos contra Jose Sarney (sejamos honestos: todos sabemos que Lula ordenou aos parlamentares do partido a tomar posição em defesa do coronel do Maranhão, com isso perdendo alguns companheiros preciosos). Dilma Rousseff poderia ter essa figura como seu representante no Senado? O lastimável projeto do "anti-terrorismo", proposto por ela, só teve aprovação do Senado graças aos conchavos de Delúbio Soares, envolvendo inclusive o líder do PSDB, Aloysio Nunes. Como responder à pergunta do mesmo Aloysio Nunes: "ele caiu do céu?" É a isso que Dilma precisa responder. Não com palavras, mas com atos. Precisa desvencilhar-se de bandidos tão grandes ou maiores e que povoam o seu ministério. A ela aplica-se perfeitamente o velho ditado: "à mulher de César não basta ser honesta; é preciso que ela aparente ser honesta." Dilma Rousseff é sabidamente honesta. Mas não tem parecido honesta.Todos os que a conduziram à Presidência querem que ela se explique. Os mal-feitos exigem isso. Como exigem do Lula, para quem não bastará uma explicação, é preciso que ele se desculpe perante os muitíssimos milhões que o fazem o grande líder nacional.