terça-feira, 15 de dezembro de 2015

textinhos:

a ratoeira foi armada com lascas atrativas de queijo e o ratinho está próximo da degola. Eduardo Cunha possivelmente renuncie e fuja. O que seria um final de ópera bufa. Com isso, desata-se o nó. O PMDB, como partido dos oportunistas covardes, tenderá a uma posição de "cordeirinho pré-imolação". Dona Dilma precisa ser muito brava e lecioná-los na forma devida.
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nada como começar o dia com bom humor. E as piadas ajudam nisso. O Ministro da Fazenda não gosta claramente dos programas sociais, que ele, caso pudesse eliminaria pura e simplesmente. Mas começa a revelar amor pelas "piadas infames". Segundo ele, "as classes ricas estão ansiosas por colaborar", pagando mais impostos. Desculpável, se fosse ironia. Mas ele fala a sério. Ha um ditado um tanto preconceituoso, que afirma: "tanto comprido, tanto tolo".

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O Japonês Bonzinho é homem de confiança da Polícia Federal. Fotogênico, está sempre presente. É, além de eficiente, um elemento diversificado: será o grande vendedor de informações, as que surgem na imprensa, antes de serem sabidas pelos seus superiores hierárquicos. Recentemente, foi escalado para acompanhar o Ministro da Justiça.
Tudo tão simpático e civilizado
TEXTO 18\12\2015

IMPRENSA E EXERCÍCIO DEMOCRÁTICO O cinema está trazendo de volta a figura de Assis Chateaubriand, já envolto que estava entre as páginas amareladas da História, morto em 1968, quase meio século. De imediato, os que não viveram os anos de apogeu dos Diários Associados passam a fazer associações, pondo ao seu lado a imagem de Roberto Marinho e questionando sobre as forças da Imprensa, para enfim perguntar: a imprensa é um quarto poder? Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, criando e dirigindo os Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal (O Cruzeiro), uma mensal (A Cigarra), várias revistas infantis e a editora O Cruzeiro. A carreira de Chateaubriand está ligada intimamente à revolução política de 1930, ligando-se a Vargas, as relações entre os dois tendo experimentado momentos de apoio e de antagonismo, amigáveis e muito tensas. Ele foi um dos homens que melhor entenderam o Brasil novo, que substituía a República Velha. Soube usar o jornalismo em proveito próprio, alimentando a sua imensa vaidade. Nunca escondeu que só seguia uma ética própria, concessiva, mostrando-se ele mesmo como um bucaneiro, permitindo-se as fanfarronices de quem não aceitava nunca limites morais. Orgulhava-se das chantagens que fazia, seja para obter recursos para a sua empresa, seja para atingir seus objetivos políticos, seja para tornar viável o projeto do Museu de Arte de São Paulo. Chateaubriand promovia-se sempre, queria estar nas manchetes dos jornais, por crimes ou virtudes. A partir de 1941, desenvolveu a “Campanha Nacional da Aviação”, exigindo que o Brasil incorporasse o avião ao seu dia-a-dia, para isso promovendo a construção de “campos de aviação” e aeroclubes em centenas de cidades do interior. Sob o lema “Deem asas para o Brasil”, visitava essas cidades, promovendo festas de inauguração. Elegeu-se por duas vezes Senador da República, fez-se eleger imortal da Academia Brasileira de Letras. Para atender à sua fome de vaidade, fez-se embaixador do Brasil na Inglaterra. Em princípios dos anos 50, trouxe para o Brasil a televisão, com a sua TV Tupi. Em 1960, ele foi vitimado por uma trombose que limitou sua vida a um mínimo. Continuou a escrever artigos, mas imobilizado. Os Diários Associados foram uma consequência, mas não objetivo de vida de Chateaubriand, que por isso mesmo foi um péssimo empresário, frequentemente ameaçado por dívidas impagáveis. Importante era ele, o que buscava eram as suas satisfações. Não se interessou em planejar enriquecimento com a televisão, mas a glória de ter sido o pioneiro. Foi uma figura decisiva em certos momentos na vida política nacional, mas não era a políticas que o interessava. Muito mais, obteve seus orgasmos eufóricos ao obter os títulos de senador e acadêmico da ABL. Ele desfilava o seu fardão. O senhor de um império jornalístico não o fez para exercício de um quarto poder. Ele desejou e teve poderes: para obter dinheiro da rica burguesia paulista, para exigir do Supremo Tribunal Federal e obter regalias, para ser ungido com títulos. Jamais esboçou, mesmo que em traços gerais, um projeto para o Brasil. Chateaubriand foi “um ponto fora da curva”. Jornalistas que fizeram jornalismo, propondo-se como um quarto poder político, e contemporâneos dele, foram Júlio de Mesquita Filho, Octávio Frias, Samuel Wainer, Roberto Marinho. Uma geração de foi sufocada pela grande “revolução” do jornalismo brasileiro, quando os três Poderes da “Res Publica” deixaram de existir, substituídos pela “cosa nostra”, a obra definitiva, inaugurada em 1964. Roberto Marinho encarnou a Ditadura e deixou instalada a sua máquina do Poder. Planejou e executou o seu projeto, obtendo e assegurando o monopólio das comunicações no País. Transformou os políticos em astros de seu “cast” de estrelas e as instituições desta, os partidos políticos, a Câmara e o Senado, em cenários de suas novelas. Como isso foi possível? Vamos lembrar em poucas linhas a evolução mais recente. A imprensa, no primeiro momento o jornal, resultou da vocação de homens que se propunham a ser comunicadores, frequentemente animados por algum tipo de ideal, ou mesmo pela vontade de comunicar. Essa imprensa, que não queria ser empresa, nascia de vocações jornalísticas - a comunicação e a informação transmitidas dia-a-dia, captadas e preparadas em redações confusas, máquinas primitivas, esforços que levavam às rotativas e que se repetiam todos os dias. O jornalista fazia um tipo humano; Nelson Rodrigues, com seu cigarro de canto-de-boca e suas crônicas diárias, contando “a vida, como ela é”, foi um . Mas também foram jornalistas alguns dos donos de jornais. Porém,Roberto Marinho jamais foi um jornalista. Gradativamente, o jornal foi sendo aperfeiçoado pela tecnologia, pela rapidez sempre crescente na obtenção e na transmissão de informações. O pensador que descreveu melhor o processo de transformação foi o alemão Habermas: o jornal que se torna empresa, que investe somas expressivas e que passa a ter como primeiro objetivo a remuneração desse capital, isto é, o lucro. O jornalista fez-se empresário, o que comunica e informa o que e como melhor lhe fica a “verdade” que se estampa nas folhas do jornal. O mundo da imprensa passa a ser o mundo dos negócios, onde todos são empresários, unidos pelo objetivo comum de sustentação de sua hegemonia política. Assim, essa imprensa escrita, o jornal, foi cooptada e incorporada pelas elites. O rádio seguiu esse mesmo caminho apressadamente; a televisão e a Internet já nasceram assim. Essa imprensa, que é agora arma exclusiva dos senhores do poder, pretende ser respeitada ainda como órgão público de informação, de utilidade pública, propondo-se então o equívoco: ela se exige empresa privada, liberta de qualquer restrição do Estado, que condena a priori como “censura”. Habermas esclarece: “de acordo com o modelo liberal de esfera pública, as instituições do público intelectualizado estariam garantidas contra os ataques do poder público, por estarem nas mãos de empresas privadas. Mas, na medida em que elas (as instituições jornalístico-publicitárias) se comercializaram, concentrando-se no seu aspecto econômico, técnico e organizatório, transformaram-se nos últimos cem anos em complexos com grande poder social, de tal modo que exatamente a sua conservação nas mãos privadas é que ameaça constantemente as funções críticas do jornalismo’. Não se deve perder de vista que, também nos últimos cem anos, a imprensa passou a incluir o cinema, o rádio e a televisão, mais recentemente a Internet, meios de comunicação que desde o seu primeiro momento tomaram caráter empresarial, em função dos investimentos maiores que exigiam. Contando com som e imagem, além da possibilidade de acesso fácil e imediato dos consumidores, esta nova imprensa, nas suas diversas formas, tornou-se o instrumento ideal para divulgação em massa do discurso ideológico, que toma então a forma de propaganda, que se aperfeiçoa no marketing político, este tendo por objetivo último transformar o político e a política em futilidades, sempre que possível muito simpáticas e divertidas – o jornalismo não informa mais sobre o que é relevante, e muito menos analisa: ele faz a crônica da corte, dispensando o mesmo tratamento a Presidentes, senadores e deputados, mais os astros da televisão e do esporte. Em processo de velocidade crescente, a imprensa e a propaganda tornaram-se o mesmo mundo, seguindo as mesmas regras e tendo os mesmos objetivos: “(a imprensa e a propaganda) escondem as suas verdadeiras intenções comerciais e políticas, sob o papel de quem está interessado no bem comum. A manipulação dos consumidores empresta os seus símbolos a um público estereotipado, aproveitando-se de sua legitimação: assim, funções típicas da esfera pública são integradas na concorrência de interesses privados”. Em última instância, a união da imprensa e da propaganda passa a proferir o mesmo discurso e têm permitido atingir-se o objetivo de criação de um grande consenso ideológico. Segundo Habermas, a tarefa desse consorcio passa a ser exatamente a criação de uma engenharia do consenso. Por engenharia do consenso deve-se entender a uniformização que permite um pensamento único, uniforme e desprovido de qualquer dimensão crítica. Em última instância significa a alienação, a lobotomização. Só assim pode ser entendida a extensão o crime cometido por Roberto Marinho, responsável pela idiotização das classes médias brasileiras. Hoje, a Globo é acompanhada pela imprensa escrita, caso gritante da revista Veja, e pelo rádio. Resta-lhe por dominar a Internet. Ainda são lembradas as “seis famílias” que dominaram o mundo da informação. Uma lembrança anacrônica: como jornalistas-empresários não existem mais, nem os Civita, nem os Mesquita. A famigerada Veja pertente, contrariando a Constituição, a um grupo empresário da África do Sul. A pantagruélica Globo é hoje um clube, com um quadro associativo que reúne a nata da bandidagem política. É verdade, existe ainda a Folha de São Paulo, jornal do pequeno Frias, que não é uma família, mais uma raspa de tacho. Quem tem interesse em mudar as regras desse jogo, romper com a engenharia do consenso? Absolutamente ninguém possuidor de expressão política. Que fique com a palavra aquela que essa mesma imprensa atira ao ostracismo. Luiza Erundina, a voz áspera da denúncia, diz: “é uma falácia” o argumento de que a regulamentação dos meios de comunicação ameaçaria o direito de livre expressão”. A modesta assistente social sabe as palavras de Habermas, as que os nossos governantes, com suas fraldas urinadas, querem desconhecer. E mais: “os defensores da democracia da mídia são exatamente aqueles que estão à margem do ‘direito de antena’ – o direito de emitir e receber imagens e sons por meio da radiodifusão. Os setores dominantes da sociedade não têm nenhum interesse em mudar a dinâmica do poder da mídia”. Descumprindo tudo o que se comprometeu a fazer, o Governo brasileiro não faz nem mesmo por exigir o cumprimento do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, atualizado pela Lei Geral de Telecomunicações, de 1997. Os governantes do PT, no exercício de 13 anos contínuos do poder, não fazem nem mais declarações, que hoje soariam inegáveis no seu ridículo falso e protelatório. Apenas um partido político de oposição tem levantado a voz contra a patifaria instituída, submetendo o quadro pífio e lastimável que se experimenta no Brasil a apreciação doo Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da Justiça nacional, ele mesmo com foro e endereço no Céu e, para quem, o problema não se confunde com a necessidade de as suas togas estarem bem asseadas e melhor passadas. A Constituição brasileira, artigo 54, proíbe expressamente o que o Código Brasileiro de Comunicações repete em seu artigo 38. Mesmo assim, o estudo “Os donos da mídia”, mostra que, até 2009, 271 políticos eram sócios proprietários de 324 veículos de comunicação, espalhados por todo o País, congregando políticos filiados a 10 partidos políticos. Deixemos de lado as hipotéticas “seis famílias”, que o problema tem dimensões imensas, manchando não só o Legislativo, mas o Executivo e o Judiciário. Nem Dilma Rousseff, nem Gilmar Mendes, nem Renan Calheiros e nem Eduardo Cunha estiveram interessados em algum momento em fazer respeitar a Constituição. Sejamos realistas, ora pois. O PT é amigo de Jose Sarney e dos coronéis que manipulam a imprensa no Brasil. Não é amizade que enalteça e por isso mesmo é discreta. Só pode ser vista por quem tem olhos de enxergar.