domingo, 31 de janeiro de 2016

Relembrando a Historia: 
Em 1954 a voz fascista de Carlos Lacerda pedia a cabeça de Vargas. No dia 24 de agosto daquele ano, com um tiro no próprio peito, Vargas calou de vez, a voz do Corvo da Guanabara: o seu jornal foi empastelado. Em 1980, a vaidade de um Ministro do Trabalho da ditadura determinou a prisão de Lula, e assim começou a nascer o Herói nacional que pôs fim ao arbítrio verde-oliva. Uma nova prisão, agora, do Lula, nos daria um presente maior: a implosão da casa grande!


Constatando fatos: aos "tucanos" não basta serem criminosos. Trazem no seu DNA o germe da torpeza. Roubam dos que não podem ser roubados, dos indefesos.
Sob comando de Jose Serra, assaltaram o Ministério da Saúde, motivando a CPI dos sangue-sugas, devidamente arquivada; não satisfeito, Serra prosseguiu seu assalto cobrando comissão de todos os fornecedores de material para a Secretaria da Saúde de São Paulo, numa rapina criminosa que nunca motivou o Ministério Público a qualquer investigação.
Constata-se agora que Geraldo Alckmin rouba comida das crianças. Isso mesmo!
É um porco, não menos do que isso. E o PSDB,é o que?


OESP anuncia a abertura do carnaval nas cidades do interior de São Paulo. Em Atibaia, favorito para a conquista do Estandarte "O Ridículo do Ano", o grupo carnavalesco " Marisa comprou um barco" desponta como favorito incontestável. E lembraram-me aqui, que, em passado não tão distante do "matutino paulistano" , conservador sim, mas sério.

30\01\2016
Bom, alguns noticiários dizendo que: de acordo com o MP-SP, o promotor de Justiça Cássio Conserino diz ter indícios de que houve tentativa de ocultar a identidade do dono do triplex, então do ex-presidente, o que pode caracterizar crime de lavagem de dinheiro.
Possivelmente, o promotor e seu Ministério Público caminham felizes rumo à ratoeira que eles mesmos prepararam para morrer em desonra. Tal figura, usa pseudo indícios e suposições. Será trucidado no depoimento de Lula. Além disso,não merece pena: precisa ser punido pela opinião públiica, precisa ser objeto de escárnio. Mesmo porque, no Brasil não existe Ministro da Justiça.

OESP anuncia a abertura do carnaval nas cidades do interior de São Paulo. Em Atibaia, favorito para a conquista do Estandarte "O Ridículo do Ano", o grupo carnavalesco " Marisa comprou um barco" desponta como favorito incontestável. E lembraram-me aqui, que, em passado não tão distante, o "matutino paulistano" , conservador sim, mas sério.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

28\01\2016

Pois então...a prática da "gorjeta" tornou-se nos restaurantes um uso oficializado. Mas a concessão dúbia generalizou-se a cada dia : a gorjeta é paga a quaisquer autoridades, desde o guarda-de-trânsito até o Ministro, Deputado e Senador. Também aos juízes e aos promotores de Justiça. Lavam-se as mãos e lava-se o dinheiro sujo.
Nossos índios são conhecidos e reconhecidos pelo seu amor à água: os banhos servem para higienização de corpos e almas,o rio é espaço lúdico. Para eles,é bizarro o uso e costume dos "caras pálidas": por que lavam sempre só as mãos e um papel tão zelado? É esse papel que suja as mãos? Ahh! Eles não aprenderam a lavar suas almas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A China monopoliza as atenções, uma nova versão, em tamanho muito aumentado, do milagre japonês. Exaltar os seus sucessos é desnecessário, mas, pensando-se no que ela representará no Mundo do século atual, também será preciso pensar: por quanto tempo? Um povo escravizado, existindo apenas para ser fator de produção? Não será possível acreditar em nada mais do que um "admirável mundo novo". Quanto às suas relações com o Brasil, não se pode esquecer o quanto está enraizado em nosso País um modelo econômico desastroso, que vai se reduzindo ao papel de exportador de produtos primários, enquanto o esforço de industrialização, intensificado a partir da década de 1950, foi lançado às profundezas do oceano. Será preciso começar de novo, com uma mudança radical do modelo político que se baseia hoje no que merece ser definido como "democracia consentida", sob tutela das elites e do sistema financeiro internacional.

A partir de agora as remessas ao exterior para pagamento de serviços de viagens de turismo, negócios e missões oficiais passam a ser tributadas pelo Imposto de Renda em 25%. Antes isentas. Daí a indignação de todos que viajam habitualmente à Miami e outros espaços "diferenciados". Para os adeptos do neoliberalismo essa taxação é altamente discriminatória, pois não atinge as viagens de estudos e pesquisas. Os fãs de Roberto Carlos, cantor dos cruzeiros marítimos, encarecidos em 25%, estão indignados, vendo nisso um ato de retaliação de Chico Buarque, (quem sabe?) invejoso do sucesso eterno do menino da velha-jovem guarda.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

26\01\2016

Não suportando mais as críticas obtusas e interesseiras dos que se imaginam "oposição", sem mesmo saber o que significa "oposição", a Presidenta Dilma cria as melhores condições para uma crítica dura e inquestionável ao seu governo. Pois bem,nos negócios com o jovem Picciani, usou a Saúde do Brasil como moeda de troca, entregando o Ministério a uma figura tétrica. Esse senhor, irá colaborar e muito na tarefa de rejeição de seu governo.
Dilma, Dilma...


 Rio de Janeiro,vamos sim chorar por ti. 
Piorando a cada momento na administração municipal, não está menos mal que o Estado de Pezão, e muito menos na Câmara, com Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. Agora, o bloco dos Picciani vai entrando na Avenida: "Batuque na cozinha Sinhá não quer!!!"



 momentos em que se permitiu a prática democrática, a elite brasileira não sabe aceitar a vontade do povo. Como nota o historiador: "se a estabilidade da democracia depende crucialmente do comportamento dos perdedores”, causa preocupação a conduta do PSDB, que como a velha UDN “faz política porque não tem outro jeito”. Eles, na falta de aprovação pelo povo, acreditam que deve bastar a imensa auto-estima que as derrotas sucessivas lhes criou como defesa pela humilhação. Que o diga o velho líder, FHC, o inconformista.

E agora, como ficamos, 'gentes do PSDB'?
FHC e companhia sempre se permitiram fazer as suas demagogias falando em nome do povo brasileiro. Velho hábito, Carlos Lacerda já fazia isso em 1954. O governo "endireitou-se", assumiu as posições que foram privilégio das elites retrógradas. E as pesquisas contam que o povo não está gostando e acha que o País está viajando na contramão. Se tivessem alguma sensibilidade, os analistas políticos não estariam sorrindo: a culpa não é do PT coisa nenhuma, pois o governo não é PT. Ou estou enganada?
26\01\2016

 momentos em que se permitiu a prática democrática, a elite brasileira não sabe aceitar a vontade do povo. Como nota o historiador: "se a estabilidade da democracia depende crucialmente do comportamento dos perdedores”, causa preocupação a conduta do PSDB, que como a velha UDN “faz política porque não tem outro jeito”. Eles, na falta de aprovação pelo povo, acreditam que deve bastar a imensa auto-estima que as derrotas sucessivas lhes criou como defesa pela humilhação. Que o diga o velho líder, FHC, o inconformista.
E agora, como ficamos, 'gentes do PSDB'?
FHC e companhia sempre se permitiram fazer as suas demagogias falando em nome do povo brasileiro. Velho hábito, Carlos Lacerda já fazia isso em 1954. O governo "endireitou-se", assumiu as posições que foram privilégio das elites retrógradas. E as pesquisas contam que o povo não está gostando e acha que o País está viajando na contramão. Se tivessem alguma sensibilidade, os analistas políticos não estariam sorrindo: a culpa não é do PT coisa nenhuma, pois o governo não é PT. Ou estou enganada?


Então... analisando fatos aqui: O "mineirinho" que Eduardo Cunha pretendia contrapor ao jovem Picciani, disputando a liderança do PMDB na Câmara desistiu ou foi desistido?
Com isso, passamos a ter tempo bom, com sol pela manhã e lua pela noite. Picciani controlará o PMDB assegurando conservação de Michel Temer na eterna presidência do partido. O "centrão", já recompensado nessa manobra com o Ministério da Saúde e o monopólio dos manicômios, sob o comando daquele 'outro', que começa ser reconhecido nos seus sentimentos, fechará questão quanto ao não impedimento presidencial. E pra finalizar, Cunha já prepara o seu terninho preto&branco, de listras horizontais. Fartamente anunciado.

Só rindo mesmo...o PSDB, desde que deixou o governo, e já se vão 13 anos (para desgosto deles), está empenhado em desgastá-lo, não importa a que preço. Fossem competentes, já teriam levado o Brasil á bancarrota. A notável dupla do rock-rural, Bocão e Narizinho (hehehe), querem agora confrontar-se com os governos Lula e Dilma na área de políticas sociais, onde são de uma ignorância monumental.
São tão ridículos, que até Jose Serra está envergonhado deles.

sábado, 23 de janeiro de 2016

23\01\2016

Mas afinal, a ciência no Brasil vive do que?
Um levantamento interessante quando não se aborda um aspecto. No centro do mundo modernizado pela globalização, a pesquisa científica é alimentada basicamente com recursos das empresas privadas. No Brasil, periferia desse admirável mundo novo, criado pelo neoliberalismo, o financiamento é função do Estado. A desnacionalização da economia brasileira, promovida por FHC e seus gênios nanicos, deslocou a pesquisa científica para as matrizes no exterior, da mesma forma que o centro de decisões das empresas está fora do País. Indústrias riquíssimas e de alto faturamento , como a farmacêutica e a de alimentos pesquisam o que no Brasil? A Petrobrás é a única exceção, e isso por motivos óbvios. A sua privatização (desnacionalização) , além de todos os imensos malefícios evidentes, significaria a total perda de independência, o que é desejado pela Máfia do Petróleo, advogada aqui pelo infame Jose Serra e sequazes. Desde FHC o número de empregos oferecidos a cientistas pelas empresas caiu de forma assustadora: mais um aspecto da herança maldita deixada por ele, o homem que 'tinha um pé na cozinha' ( ! ).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

21\01\2016

Para quem tiver interesse maior em saber o que está pensando Lula, existe aqui(na rede)circulando uma gravação de sua conversa com os blogueiros. Objetivamente, foi a prova da lucidez desse homem, que admite nunca ter sido de esquerda, mas um lutador contra a miséria do povo brasileiro. Ele sabe que não tem e nem quer ter formação teórica, que deixa à conta de Dilma Rousseff, sem deboches, falando a sério.
Ouvir Lula permite que se deixe de lado alguns textos tristes,construídos por alguns jornais (vergonha), reduzindo tudo o que foi dito a uma lauda mal escrita e descosturada. Não se faz crítica de má-vontade, mas que pode ser provada: "Durante a gestão Lula, o ex-ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, tentou reorganizar a política de comunicação federal – que não foi adiante na gestão de Dilma – de forma a promover a mídia independente, sem a qual a vitória nestas eleições seria inviável, segundo admitiu o próprio Lula, nessa entrevista". Um parágrafo hermético, pois não?
Lula apontou para a visão antiquada de uma mídia que seria dominada por seis famílias e comenta que foram-se os tempos de Roberto Marinho e Otávio Frias. Ele mostra a direção certa para análise da mídia brasileira, gerenciada por executivos profissionais a mando dos bancos. A argúcia de Lula é reduzida pelos jornais a um sentimento de "saudosismo", prova de que quem produziu a matéria não tem noção do que é o velho metalúrgico que, quando moço, foi entrevistado por Rui Mesquita - seria riquíssimo o trabalho que, feito com competência jornalística, comparasse os dois momentos, o que evidenciaria o quase meio século de coerência política de Lula. Rui Mesquita encantou-se com um jovem sindicalista que não portava consigo nenhum traço de esquerdismo, o que Lula confirma agora. Ninguém entenderá esse homem, se não levar isso em conta com toda seriedade.
Lula não perdeu a ternura nos momentos em que fez declarações muito duras: as esquerdas reclamam da imprensa e fazem o que? A direita se une e faz o Instituto Millenium. Todos morrem de medo em citar essa entidade que debocha da Nação, ou até mesmo há os que não sabem de sua existência. Lula sabe e sabe medir o que eles são capazes de fazer.
Quanto a Dilma, o apoio está acompanhado de cobrança firme: mudou o Ministro? E o que vai mudar? Lula deixa claro o seu desinteresse sobre discussões em torno de políticas de juros e papel do Banco Central. O que ele exige é que haja emprego, para haver o que comer. É a crítica mais dura possível à política econômica neoliberal do governo Dilma.
Enfim, três horas de fala motivam muito comentário, muita reflexão, e não o que fizeram alguns jornais "não poderiam nunca ter empobrecido numa página lastimável".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

21\01\2016

Agora falando sério...
A manutenção da taxa de juros está sendo comemorada: um fio de esperança? Mas os deuses que se denominam anonimamente, o Mercado, desaprova e ameaça com seus raios da ira. E a imprensa criminosa vai desempenhando o seu papel. Quer implantar, pela força da repetição, a mentira avalizada pela tática do fato consumado: reclama da intervenção do Governo nas decisões do Banco Central, como se de uma vez por todas esse órgão governamental fosse independente. Não basta a autonomia que se permite ao BC, o que não se confunde com independência. Essa independência seria clara e ostensivamente anticonstitucional, submetendo a vontade do povo, através de quem este elegeu para governar, aos interesses nojentos da Banca Internacional e da Máfia.
Um Ministério da Justiça competente, exigiria a retificação das linhas tortas de O Estado de São Paulo, um jornal que já teve sua seriedade arcaica,e cada vez mais se aproxima da Folha da família Frias.
20\01\16

Meus adoráveis babelescos, só lembrando aqui...
As eleições municipais estão próximas, muito mais do que distrações possam nos sugerir. São Paulo será decisiva nesse que é o primeiro degrau rumo a 2018. Haddad está humanizando a cidade é merece ser reeleito.
O que não cabe é criticá-lo em função do movimento que luta pelo "passe livre". Em si, um movimento muito justo, mas também utópico no momento.
O que não se comenta: as empresas fornecem por imposição legal o "vale-transporte" e os estudantes são subsidiados em 50%. Haddad diz a verdade, quando alerta para o fato de que mais da metade da população não é atingida pelo aumento de tarifas.
Quanto a lembrar a figura sórdida das empresas de transporte, em todas as cidades brasileiras, muito bem, vamos acusar e lutar contra o que está acontecendo em pequenas, médias e grandes cidades. Mas, por que identificar culpa em Haddad? Isso interessa a quem?
Pra pensar...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

TEXTO 22\01\2016

A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ Uma pesquisa que procurava desenhar o perfil dos operáriso metalúrgicos da indústria automobilística, feita às vésperas de eclosão dos movimentos grevistas promovidos por eles, e que eram vistos então como formando uma "nova classe operária", mostrava que 90% deles jamais tinha lido algum capítulo ou artigo da Consolidação das Leis do Trabalho. Mas todos tinham consciência de seus direitos e sabiam como lutar por eles. A classe operária tinha àquela época uma cultura predominantemente verbal. Já na segunda década do século XXI, sabemos todos que existe uma Constituição, a primeira das leis, a que reconhece a nossa cidadania e os nossos direitos e obrigações. Mas não nos atraiu nunca a leitura de mais de trezentos artigos e emendas a perder de vista. O que é a nossa Constituição? Ela é a “Constituição Cidadã” exaltada por Ulisses Guimarães? Ou é a Constituição que nos deu uma “democracia consentida”, escrita com os olhos voltados para o passado? Com toda certeza, os constituintes de 1988 fizeram a Lei, ainda apavorados pelo fantasma de ditadura recém-finda e buscaram segurança em 1946. A falta de coragem, associada à ausência de criatividade, impediram que se balizasse o Brasil para o século XXI. Não se propõe aqui uma tarefa fácil, pois que até os ministros do STF, na falta de notável (ou razoável) saber jurídico, confundem-se ao tratar sobre ela, tropeçando em bugalhos que imaginam serem alhos. Atentando-se para o princípio, segundo o qual a Carta Constitucional não pode comportar supérfluos, nem frases e nem mesmo palavras, devemos pensar que os redatores de 1988 não foram fiéis a ele, escrevendo prolixamente 250 artigos, completados com mais 98 disposições transitórias. Nós brasileiros em tese temos necessidade de conhecer a todos e saber interpretá-los, pois que é preceito jurídico que a ninguém é dado alegar a ignorância da lei. Assim, e mesmo antes de iniciada uma leitura, fica a certeza de que o Brasil precisa de uma Constituição, limpa de detalhes e meandros, estruturada e redigida com a competência que faltou em 1988. A Constituição contém um preâmbulo: Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Sem que se apresse o andar da carruagem, sejam feitas as primeiras ressalvas: não houve uma Assembleia Nacional Constituinte, que só poderia ser eleita pelo povo brasileiro, o que não aconteceu. Deputados e senadores outorgaram-se direito que não foi concedido a eles, pondo-se acima de suas competências, do que resultou o texto demais insatisfatório. O preâmbulo, ao mencionar sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, produz poesia romântica, mas não uma declaração de Direito. Com imodéstia risível, promulgam sob a proteção de Deus, fazem, portanto, obra divina, destinada a dar estrutura a um Estado Laico. Deus seria capaz de inspirar um Estado laico, dispensando-se todas a quaisquer religiões que já criou? Enfim, o Preâmbulo nos propõe um enigma. Ora pois, como todas as nossas constituições republicanas o fizeram, o Brasil é declarado república e república federativa. Cabe a pergunta: o Brasil é uma federação? Já foi em algum momento uma federação? Não se pode esquecer que a República nasceu federativa, dando-se aos Estados a autonomia que permitiu construir-se toda a República Velha como república “café com leite”, servindo aos partidos republicanos paulista e mineiro, isso para que, na defesa do preço do café e enriquecimento crescente e assegurado dos cafeicultores, o Brasil pudesse se encalacrar em dívidas com os bancos ingleses. Esse mesmo federalismo permitiu a Júlio de Castilhos doar ao Rio Grande do Sul uma república positivista, promulgada em nome da Humanidade. Em 1930 o positivismo gaúcho criaria a República uma e indivisa, as bandeiras estaduais tendo sido queimadas em cerimônia pública, mãos de jovens estudantes alimentando a pira da Pátria com aqueles panos. Com o fim do Estado Novo, uma nova Constituição tratou de restabelecer o regime federativo, que foi mantido durante a ditadura e aportou com segurança dogmática na Carta de 1988. Pela sua letra, a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. Hoje, a Federação é composta por 26 Estados, mais o Distrito Federal, decompondo-se em 5.570 municípios. Não há justificativa técnica para tal gigantismo. São 81 senadores e 513 deputados federais, compondo o Congresso Nacional. São 27 governadores, 27 assembleias legislativas, 27 secretariados, 27 Tribunais de Contas ... Não se trata de uma “burocracia de Estado”, mas de um mecanismo que, em última instância, vai transferindo o poder de gestão do Estado para a esfera do poder econômico & financeiro, através de um mecanismo de troca de favores que crie para o Poder Executivo a governabilidade que se transfere, do voto do povo, para as deliberações de parlamentares negociantes. A ditadura criou essa aberração. Manteve em funcionamento, ainda que irregular, um Congresso, ridicularizado na presença de senadores indicados pela Ditadura, dispensada a eleição popular, e emasculado, com o uso do expediente de criação de novos Estados, os antigos territórios e mais os resultantes de fracionamento de Mato Grosso e Goiás. O Congresso Nacional equiparou-se ao Senado Romano de Calígula, tornando-se serviçal dos coturnos. Mesmo com os militares já preparando suas mochilas, para a marcha de volta aos quartéis, o Parlamento Nacional fez abortar o movimento popular pelas eleições diretas, já havia deglutido a “lei da anistia” e logo em seguida aceitaria o golpe branco do general Leônidas Pires Gonçalves, vetando Ulisses Guimarães e elegendo Jose Sarney. Esse edifício kafkiano, levantado na Praça dos Três Poderes, estará sempre jogando as pedras de um jogo com regras determinadas pelo Poder Econômico. É o entrave inegociável para as reformas necessárias na construção de um Estado Moderno, capaz de fazer realidade o discurso abstrato da Constituição. O que ela define, como seus objetivos fundamentais: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. ... Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Os governos do PT eliminaram a miséria e deram dignidade à pobreza, mas não lhes foi possível reduzir os efeitos de uma distribuição de renda das mais injustas no Mundo. Os governos do PT não puderam ter o apoio do Congresso Nacional para promover as históricas “reformas de base”. Sabidamente, Lula e Dilma Rousseff receberam, com a faixa presidencial, poderes muito limitados, sufocados por essa máquina de política baixa e imediatista, de troca de favores e grandes benefícios. Lula não se pronuncia sobre isso, mas Dilma Rousseff afirmou em vários momentos que lutaria por uma Constituinte e uma nova Constituição. Por isso mesmo, as elites procuram destruí-la, construindo o capítulo mais imundo da História da República. Como superar essa barreira? Esse é o grande desafio que só pode começar a ser enfrentado nos debates de uma Assembleia Nacional Constituinte. A grande reforma política só será competente se começada desse ponto: a renegociação do pacto federativo. Como definir quais serão os representantes do Poder Legislativo? Como fazer com que o Parlamento deixe de ser o instrumento de coação, impedindo que o Executivo governe a Nação? Para que haja essa Assembleia Nacional Constituinte como agente político efetivamente representante do povo existe uma pré-condição: é preciso que o povo saiba o que quer e exija a sua tradução nas letras de uma Constituição. Admitamos a utopia. É preciso que partidos políticos proponham projetos para o Brasil, é preciso que todos aqueles que tenham condições para isso se ponham como pregadores, não de verdades prontas, mas da necessidade de fazer-se uma vontade popular lúcida e politicamente madura.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

texto 08\01\2016

E O LULA FALOU ...
Convidado gentilmente pela Polícia Federal, Lula foi lá e prestou seu depoimento, na qualidade de testemunha. Tivesse sido intimado, por suspeito de prática de crime, a imprensa teria noticiado. Não foi esse o caso. O que ele disse lá? O que ele está nos dizendo? Necessariamente, foi um depoimento muito bem pensado, ouvidos atentos a várias falas e aconselhamentos. Por isso mesmo, houve prudência e muito caldo de galinha. Lula jamais soube de nada errado na Petrobrás, nem foram indicados seus os que mais adiante foram apanhados com a boca na botija. Tudo era encaminhado à Casa Civil e o Ministro responsável fazia e desfazia. Nada mais justo. Afinal, o companheiro Jose Dirceu não corre riscos: ele já está preso. O companheiro Lula não está preso; e nem quer ser preso. Já por aí, ele nada teve a ver e nunca com os nomes já enredados na Operação Lava Rápido e nem em quaisquer outras. O Presidente da República não se desgasta com problemas menores, como a gestão de uma empresa estatal, mesmo quando essa empresa seja a Petrobras. Vamos “fazer de conta” que sempre foi assim. Logo em suas primeiras palavras, Lula explicou tudo: na campanha de 2015, o PT associou-se a partidos com quem tem afinidades, com o PMDB, por exemplo. Os conchavos e trocas de favor nasceram espontânea e justificadamente disso. Excelente esse esclarecimento: jamais tínhamos suspeitado disso e, a partir de agora, atitudes que seriam tomadas por canalhas serão melhor compreendidas. Como, por exemplo, a aliança com os Picciani e a Máfia do Rio, ganhando-se quórum suficiente para arquivarem-se as tentativas indecentes de Eduardo Cunha contra a Presidenta, a companheira Dilma. Se essas primeiras palavras foram enganosas e enganadoras, estaremos aceitando que Lula, com arguto senso de conveniência, admitiu tacitamente que o companheiro Jose Dirceu não foi o grande anjo do mal, conduzindo o Partido dos Trabalhadores para a senda do crime, mesmo porque “caixa 2”, que ainda não era roubo, era apenas um ilícito menor, algo como uma contravenção que a sociedade sempre aceita, e que o digam os banqueiros do jogo do bicho. Quanto à Petrobrás especificamente, as afinidades criadas com os novos parceiros políticos implicaram em trocas de confianças e favores de cargos, jogos políticos, não negociatas. Se ocorreram não mais do que práticas habituais nos meios políticos, a Lula foi possível eximir-se de quaisquer responsabilidades, sem que, com isso, tenha abandonado o companheiro, apontando-o como responsável pelos malfeitos. Se não se praticaram crimes, responsabilidade de quem e no que? Restava apenas a dúvida nascida dos silêncios do PT, que optou sempre por identificar na ação condenatória do STF um ato político e não jurídico, dispensando-se da descrição exata dos fatos e acontecimentos. A postura aberrante do Supremo Tribunal foi sempre o melhor libelo de defesa. E se Lula disse a verdade? Pior ainda. Ao deixar nas mãos de um auxiliar os destinos de uma empresa decisiva para o futuro do País, foi irresponsável e incompetente, desqualificando-se para o exercício do cargo. Lula não se deu conta do que estava acontecendo? Não recebia relatórios, não tinha em mãos instrumentos mesmo que simplórios de auditoria? É verdade que os bandidos de Brasília têm as mãos perfumadas e os rostos embelezados pelos implantes capilares, cirurgias plásticas e enxertos. Mas ao Lula, por oito anos Presidente da República, e antes disso constituinte de 1986, falta competência para distinguir alhos de bugalhos? Ou ele também se fez temerário? Acordos que envolveram ajustes e acertos com as gentes de Michel Temer poderiam ter sido acompanhados à distância, ou mesmo desacompanhados? Lula foi convidado por duas vezes a depoimentos durante 2015. Prestou depoimento à Comissão da Verdade, numa pequena cerimônia que não mereceu atenção maior da imprensa. Não foi torturado, mas foi violentado na sua cidadania, principalmente numa prisão estúpida, e não só isso, pois que foi perseguido na sua ação como líder sindical, viu os companheiros espancados nas ruas de São Bernardo do Campo, ouviu o ruído dos motores dos helicópteros militares que acompanhavam com sua ameaça as assembleias na Vila Euclides. Diante dos que não estavam a julgá-lo, e nem o julgariam, que estavam a julgar a História do Terror, Lula assumiu atitude de menino inibido, sua postura física definia o seu incômodo assustado. Não só não viu, como não ouviu nada. Preso, foi muito bem tratado no DOPS por Romeu Tuma e não teve qualquer contato com Sérgio Fleury. Admitiu o cabimento da missão da Comissão, mas externou sua preocupação: para o Exército não é simples aceitar isso. Limitou-se a contar a história de vida do líder sindical não politizado, minimizando o mais possível quaisquer influências de Frei Chico, o irmão do Partido Comunista, preso e torturado pelos esbirros da ditadura. Em seu depoimento à Policia Federal não teve postura menos defensiva: não viu nada, não participou de nada, os outros faziam. Optou por fazer-se incompetente e ausente. O mesmo medo. O não querer comprometer-se. Foi coerente com a sua história: não veio ao povo, para prestar contas do “caixa 2”: quanto foi? Veio de quem? Foi gasto no que? Não se posicionou diante das condenações de Jose Dirceu e de Jose Genoíno. Não veio ao povo para dividir com ele os problemas e malfeitos em torno da Petrobrás. As contas de governo são contestadas, com má-fé evidente, ação de anjos de cara suja, ladrões de fama pública: mas onde estão as contas? Onde o governo participativo? Onde a seriedade no trato do dinheiro público, seriedade que houve, mas não está mostrada? Os procuradores do povo devem satisfações ao povo? Quando e onde? Lula pregava a necessidade de isso ser feito periodicamente, em praça pública, com os papeis na mão: paguei a quem e recebi de quem? Pretérito do passado perfeito. E ponto. Lula sempre mostrou a sua honestidade como resultado do que aprendeu com a Mãe analfabeta. Comove e convence. Mas, para convencermos a todos, companheiro Lula, precisamos, não de provas, mas de argumentos. Não basta o simplório “mamãe mandou eu não botar a mão no que não é meu”. A sua vida pública, Lula, logo mais completará meio século. Foi feita de muitos momentos, experiências, marchas e contramarchas. Da sua história, companheiro Lula, o povo não quer ter vergonha, quer ter orgulho, e um Líder não pode ser fraco, omisso e dúbio. Mas pode errar e erra: admita isso, Lula. Todos já estão a falar sobre 2018, pois que ninguém espera coisas maiores nos três anos que restam a Dilma Rousseff. Espera-se que sejam respeitados e cumpridos. Só. Mas, antes de qualquer outra coisa, companheiro Lula, volte a falar com o povo o diálogo de quem fala depois de ter ouvido, que esse é o papel de um líder. Aprenda a falar por último, olhos olhando os olhos. Não se ponha como figura messiânica, olhe as caras dos que o acompanharam e as dos que estarão dispostos a acompanhá-lo. Volte a afirmar o que já afirmou: não são os fins que justificam os meios. SÃO OS MEIOS QUE JUSTIFICAM OS FINS. Comece por nos contar dos seus grandes erros, para que possamos falar dos nossos, sem falsidades, sem arrogâncias, sem mentiras. A primeira página do termo de declarações prestadas por Luís Inácio Lula da Silva à Polícia Federal é confirmada pelas três que se seguem: NÃO FUI EU, EU NÃO SABIA. O LÌDER pode errar e erra. Não pode omitir e nem mentir.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

5\01\2016

Estou percebendo que gente muito séria está deixando claro que Dilma é o fim de uma era. Precisamos planejar o que fazer: sinto que podemos mostrar um caminho: não vamos abrir mão nunca de princípios democráticos. É preciso então politizar o povo (o que não é doutrina, é ensinar a pensar). Parece pouco, mas podemos nos empenhar em unir os(de boa vontade) blogueiros e ativistas, nessa missão: o povo não pode ser tratado como bobo. Isso já está sendo feito.
Boa tarde.



4\01\2016
sobre a matéria da Dilma na Folha hoje:
eu: Não precisamos TEMER. A Dilma não vai sair. Ela vai trair para ficar. O seu papel está muito feio. Apoia-se nos Piccianis e se aproxima da Globo, da Folha e da Veja.

2016: O ANO DE IEMANJÁ
Oxalá e Iemanjá são as Entidades que comandarão 2016. Os búzios nos informam e a notícia é a mais animadora. Oxalá é pai, a sua cor branca nos mostrando a Paz que permite a fecundação. Iemanjá é a mãe, majestade de beleza, a rainha do mar. Se 2015 começou sob a preocupação de um governo tão desejado e lutado,porém mal e contestado; 2016 nos traz uma brisa suave que vem do mar, lembrando a malemolência de Dorival Caymmi, as areias brancas do Abaeté, convite a que se faça amor e paz.
Dilma é mulher e somos nós,mulheres, que faremos juntas a revolução. Eu disse: JUNTAS! Mãe Stella diz que Iemanjá já está preocupada com tantos perfumes e flores. Eles acabam por poluir as águas do mar: ela só quer que cantem para ela. Precisamos cantar para a nossa Presidenta. Não é confundi-la com a maternidade que pede a paciência dos filhos. Dilma precisa é de palavras de bom-senso, que a orientem. No fundo, coração de guerreira pede isso. Que surjam as competências capazes de convence-la. Precisamos é falar a ela, dizer as palavras certas, e não dar-lhe palavras de elogios fáceis. Ela não é fácil! Muito menos, medíocre.
Os que estão falando dela, os analistas, os economistas, os sociólogos e os filósofos, os colunistas dos jornais, repetem-se,dizem do que não sabem, nunca viram e nem entenderam: o povo. E que fale agora este: o povo!!!
E que Dilma,nossa presidenta possa ouvir essa voz tosca, muitas vezes rouca e desafinada, que lhe ofertará a verdade da Vida.
Feliz 2016, presidenta Dilma. Saúde pra continuar.

sábado, 2 de janeiro de 2016

devemos buscar a verdade das forças sempre, arrancar de cada pequena brecha uma nova esperança e, se for para exagerar, que não seja inflando o balão dos adversários.

Quantos não citam o trecho famoso de Gramsci, "otimismo da vontade, pessimismo da razão", sem lembrar que era parte de uma carta no corredor da morte? A razão não era uma mera atividade racional especulativa, naquele momento. Razão era o reconhecimento concreto de estar nas garras da repressão, olhando o abismo da morte.

VOCÊ E EU
(Vinicius de Moraes)
Podem me chamar
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir
Melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me obrigar
Até sorrir, até chorar
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver
E que é uma pena
Para quem me conheceu
Eu sou mais [...]
EU!