quarta-feira, 30 de março de 2016

30\03\2016
TODOS OS GOLPES SE EQUIVALEM, MAS NÃO SE PARECEM
Em 1964 todos tínhamos como muito claro o apoio dos Estados Unidos ao golpe, e isso desde a posição cínica de John Kennedy. A conspiração foi feita em segrego, sabia-se que ela existia e só a voz histérica de Carlos Lacerda se antecipava no discurso da extrema-direita. A invasão dos interesses econômicos, prostituindo o Congresso, era sabida. Mas não foi denunciada. Teriam coragem, assim mesmo? E, se Jango, na sua tranquilidade de homem dos Pampas, não envolvia o povo na sua retórica, o "não vamos derramar sangue de irmãos", Darcy Ribeiro, então o jovem Chefe da Casa Civil, inflamava os que o ouviam na televisão. O comício da Central do Brasil convidava ao otimismo. A proclamação de independência, por parte de Magalhães Pinto, no primeiro momento foi ouvida como brincadeira de um velho caquético. A fala de Ademar de Barros, invocando a proteção do manto da Aparecida, coroava a sua sequência de deboches irrelevantes. Só quando as vacas fardadas se encontraram no Rio de Janeiro e Jango partiu é que se reconheceu o inevitável. Agora, entramos em março, sufocados pela pressão imoral da imprensa, desanimados pelas figuras asquerosas que formam o Congresso Nacional, e principalmente contestados por multidões que foram ensinadas a desprezar o Estado de Direito. As esperanças dos que se empenham contra o golpe branco estão sendo depositadas nas mãos dos juízes que formam o STF. Um fio de esperança? A contestação do óbvio? Reconheçamos: a derrubada de um governo eleito democraticamente hoje comoverá a uma minoria. A vitória sobre o golpismo trará alívio apenas aos conscientes. Mas não trará alegria, a satisfação pela continuidade de um governo voltado para o povo. Um golpe branco, em 2016, não criará um Estado Totalitário, mas um Estado que negará a política, transformando de vez os partidos e os políticos em capangas a serviço do capitalismo. Um governo Dilma Rousseff será, mais do que antes, o resultado de acordos e acertos. Cabe esperar por 2018. Que não se cometa esse erro primário mais uma vez. É preciso que se lute a partir de agora, trabalhando as eleições municipais. É preciso planejar as eleições de governadores, assembleias, câmara e senado. Em 2018 o Brasil estará sendo governado pelo PMDB, pelo "centrão", com ou sem Dilma Rousseff. O Brasil está voltando a ser o Brasil da Primeira República, dos coronéis e do mandonismo. Não sejamos simplórios. Não se trata de berrar LULA 2018. Precisamos de vereadores, governadores, deputado e senadores, para que não tenhamos maiis que engolir, forçados, "governos de coligação".

terça-feira, 22 de março de 2016

HEGEL, MARX, ENGELS E FHC
A falsa cultura de um trio desastrado de procuradores de Justiça de São Paulo permtiu que se confundissem Hegel e Engels, passando-se a atribuir ao primeiro parceria com Marx. Os autores desse pastelão pífio não se desculparam, entendendo que o que importava é conseguir prender o Lula, o resto sendo "frescura" (e afinal, "alemão é tudo a mesma coisa").
Karl Marx de fato doutorou-se em Filosofia na Universidade de Berlim, onde Hegel marcou a sua presença, fazendo-se um dos maiores filósofos alemães. E Marx foi influenciado por ele na sua obra de juventude, aquela que FHC terá estudado em jovem, na na Maria Antônia, como aprecia contar sempre. Engels também estudou na mesma Universidade. Os dois, Marx e Engels, encontraram-se em 1843, fazendo-se parceiros em escritos e amigos no âmbito familiar.
Marx, aproveitando-se de viagem da esposa, Lenny, manteve um caso de amor com sua empregada, que engravidou (terá FHC se inspirado no autor estudado na juventude?). Engels salvou o amigo, adotando o menino. Um caso de paternidade assumida, mas não real. Novas semelhanças? Bem mais tarde, uma das filhas de Marx, sem que tivesse havido qualquer delação premiada, e nem confissão da mãe, que de resto não era jornalista. Engels acompanharia Marx até a sua morte, cuidando da publicação de seus escritos, inclusive concluindo a obra maior do seu pensamento, o "Capital". Nota-se com muita facilidade que só mesmo ausência completa da cultura que se alardeou explica a troca de alhos por bugalhos. Como festivais da boçalidade sempre incorporam uma dose de humor, teria sido mais razoável que tivessem associado Marx a FHC, compondo-se então um ménage a trois: Marx, Engels e Fernando Henrique.
Na foto: Marx, Engels, Lenny e as duas filhas de Marx

quarta-feira, 16 de março de 2016

16\03\2016

COMO QUEREM QUE SEJAMOS INÚTEIS
Os artigos periódicos de Belluzzo lembram e ensinam.
Os grandes crimes cometidos hoje pelos que são 'as elites' (o senhores do sistema financeiro) escapam à compreensão dos protestos da avenida Paulista, posto 5\ Copacabana,Esplanada ou do Forte em Salvador. O (des)conhecimento dessa gente de valor é transmitido pelos falsos analistas econômicos da mídia golpista. Todos farinha do mesmo saco, saudosistas hoje em dia. Como frisa o nosso amigo Belluzzo: seria incômodo recuperar as opiniões do senador José Serra dos tempos do neoliberalismo de FHC? Tempos das gôndolas nos supermercados abarrotadas de verduras francesas, berinjelas italianas, tomates espanhóis e prateleiras entulhadas de quinquilharias chinesas. Foi quando realizou-se também o sonho de Collor de Melo e de todos os coxinhas: as carroças fabricadas no Brasil foram substituídas por BMW, Mercedes-Benz, Audi.
Os analistas financeiros, transformam as oscilações das Bolsa em termômetro do bem-estar social, não se dão ao trabalho de olhar para o cidadão brasileiro. Repetem banalidades que desatam prejuízos do ajuste que desajusta. Belluzo observa: "o choque de preços administrados, combinado com a escalada da taxa Selic, produziu a depressão, o desemprego, a queda da receita fiscal." Editoriais, comentaristas econômicos e políticos fariam bem ao público se parassem de tratar brasileiros como ignorantes. Até porque os que protestaram no dia 13 já são mesmo: imbecilizados de colunas sociais.
15\03\2016
KAFKA: O PROCESSO ONDE NÃO IMPORTA QUE EXISTA A CULPA
O romance escrito por Kafka, e que não chegou a ser concluído por ele, conta a história de Josef K., um bancário que é processado sem saber o motivo. A figura de Josef K. é o paradigma do perseguido que desconhece as causas reais de sua perseguição, tendo que se ater apenas às elucidações alegóricas e falaciosas vindas de muitas fontes.
O processo contra K. foi instaurado por sua incapacidade de confessar sua culpa, e, por conseguinte, sua humanidade. O tema, largamente explorado por Kafka em toda sua obra, da não-humanidade torna o livro atual, provocando questionamentos dos costumes e crenças arbitrários da vida, que podem parecer, sob certo aspecto, tão bizarros quanto os acontecimentos da vida de K.
Tentando encontrar o sentido de uma acusação que não tem conteúdo, o personagem indaga à jovem amiga sobre a convicção de sua inocência: "acredita então que estou inocente?― Bem, inocente... ― disse ela ― não quero pronunciar já uma sentençade tanta responsabilidade; não o conheço; no entanto, para mandarem logo uma comissão de inquérito, deve tratar-se dum criminoso de respeito."
Kafka reproduz a negação do estado democrático de direito e, ao mesmo tempo, leva o leitor a perceber que, mesmo vivendo sob a égide da democracia "plena", há que se não perder de vista que as instituições não guardam sua razão de ser na prestação de serviço público, mas na submissão ao poder e às camadas dominantes. Será que Kafka está inspirando o juiz Sergio Moro?

segunda-feira, 14 de março de 2016

14\03\2016 n postei

A QUEM INTERESSAR POSSA: QUEM É ESSE PAULINHO? Antes de mais nada, filho político de Medeiros. E quem é Medeiros? Criatura de Collor de Melo, que queria a qualquer preço destruir Lula, fazendo dele um anti-Lula, financiado por empresários paulistas, de quem recebia dinheiro. Presidente do Sindicato dos Metalúrigcos de São Paulo, criou a Força Sindical para opor-se à CUT. Corrupto profissional, atravessou vários governos, o de FHC, o de Lula e o de Dilma Rousseff. Deixou seu reino apodrecido para Paulinho. Paulinho é conhecido por fazer parte da chamada "Tropa de Choque de Cunha", grupo composto por 9 (nove) Deputados Federais que teve como objetivo total oposição no Conselho de Ética à todas as tentativas de investigação e punição do Presidente da Câmara Eduardo Cunha, O Supremo Tribunal Federal aceitou nesta terça-feira, 8, denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força. O deputado é acusado de ser beneficiário de um esquema que desviou recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a condenação do parlamentar por ter cometido crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. PAULINHO DA FORÇA é o protótipo do acompanhante de Aécio Neves e de Geraldo Alckmin. O que essa quadrilha faz no Desfile do Protesto da Classes Médias Brancas?

sexta-feira, 11 de março de 2016

"EM BUSCA DA VERDADE PERDIDA As ações da Polícia Federal são batizadas com nomes simples e de fácil memorização. E eis que surge a Operação Aletheia, como exceção. Simploriamente traduzida como verdade, não se dirige ao povo, mas àqueles que a desejam, patrocinam e saboreiam. Antes de colher seus frutos, ela oferece o seu sumo: está programada para a destruição de Lula, uma solução mais compatível com a sensibilidade das elites. Haveria (ou há, como alerta Mino Carta) o caminho mais objetivo, mais rápido e imune a atos protelatórios, defesas e recursos jurídicos: o assassinato, promovido por um revoltado a quem se ofereça compensação ilusória, plágio do que já algumas vezes se cometeu nos Estados Unidos. Como tem dito e repetido a Presidência da República, a liberdade reconhecida à Polícia Federal e à Justiça Federal terá sido obra dos governos petistas, que rejeitaram sempre a prática da omissão, do limpar a sala-de-visitas, pondo-se a sujeira nas gavetas. Como Dilma Rousseff enxerga isso? Policiais e procuradores, cada um em sua esfera de ação, não se pouparam nunca do trabalho de esconder seus propósitos, animados por um ódio profundo ao "populismo" petista. Como isso não foi enxergado, tão evidente e cada vez mais proclamado em alto e bom som? A operação desencadeada em 4 de março definitivamente tornou ridícula qualquer tentativa para esconder-se a aletheia: a República de Moro pretende a cabeça de Lula, e atende o desejado por todos os que tem na mídia, capitaneada pela Globo: o seu legítimo porta-voz. O Estado de Direito foi violentado por um simples juiz de primeira instância, mas o estupro foi aceito e assimilado. Ou, melhor dizendo, não foi percebido por uma maioria de cidadãos devidamente lobotomizados. Moro não foi precipitado. Muito foi feito para que o seu ato pudesse ser tomado como atitude de alguém dotado de sanidade mental. A condução de Lula, para depoimento, se não foi planejada como primeiro momento de uma operação mais violenta, em si,foi ato premeditado e inaceitável. Mas motivou o que? Além das declarações de protesto, acompanhado pela indignação de Dilma Rousseff, mais o pronunciamento de um Ministro do STF e de alguns poucos advogados. As justificativas apresentadas pelo autor da façanha não foram menos do que ridículas, mas o silêncio as torna aceitáveis, ao menos para muitos. Nesse momento, vivem-se contatos e reuniões políticas, em tese feitos com o objetivo de solucionar uma crise que se avoluma e poderá atingir seu ponto mais alto com a prisão do Lula, objetivo evidente da Polícia Federal. Notícias sobre esses atos de emergência são até agora contraditórios. A grande mídia opta pelo silêncio. E os meios "alternativos" de comunicação começam a entrar em pânico. Quem imaginou a hipótese de fazer de Lula um dos ministros de Dilma Rousseff, o que significaria a aceitação, não de culpa, mas do medo e da impotência. Sem mais detalhes: o que se faria com o conjunto de críticas de Lula à politica econômica do Governo? Seria alterada? Sabe-se que não, o que é suficiente para que a hipótese seja posta na sua nudez, no caso impudica. Confirmada a impotência, diante do poder totalitário da Justiça Federal, caberia a Lula impedir a consumação do ato de vontade das elites raivosas, a sua prisão. Não seria uma prisão política? Sim, claramente. Fica a possibilidade de solicitação de asilo diplomático, podendo assim levar ao conhecimento da comunidade das Nações sobre a ação ilegítima de um órgão que pertenceu ao Poder Judiciário, até sua opção por fazer-se instrumento de interesses econômicos. Um roteiro bem traçado vai ficando claro e permite que se identifique qual a aletheia buscada: a realidade dura e triste da entrega do petróleo brasileiro à Máfia, que controla mundialmente esse mercado. O projeto, proposto pelo próprio Governo, e aprovado no Senado, deverá ter a aprovação por maioria expressiva da Câmara dos Deputados, devendo ser em seguida sancionado por quem teve a iniciativa dele. Segundo ato, já sendo ensaiado: propõe-se a mudança de regime, do Presidencialismo para o Parlamentarismo de oportunismo. Aprovado esse, será o Congresso, o poder que mudará todo o sistema de exploração do pré-sal, como primeiro quadro a ser encenado, o mais urgente. Quem se oporá a esse tipo de golpe, repetição do que foi feito em 1961, com João Goulart? Jango aceitou e Dilma aceitará! Alguma voz se opondo? Não. No passado já remoto houve a voz de Leonel Brizola. E hoje que voz teríamos? O parlamentarismo desejado pelo PSDB, já abençoado por FHC, seria uma obra precária de engenharia politica, tanto quanto o foi o parido em 1961. A inquietação das elites, com a possibilidade de Jango assumir a Presidência, movimentou os líderes políticos e o Congresso. Nos bastidores, trabalharam intensamente na busca de uma solução para a crise nomes como o senador Amaral Peixoto, que presidia o maior partido, o PSD; os também pessedistas deputados Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Maria Alkmin, Martins Rodrigues e Nelson Carneiro; os petebistas Almino Afonso e San Tiago Dantas e o senador Afonso Arinos, da UDN. Esse quadro lembra por acaso a reunião promovida com Lula nos primeiros dias dessa semana? Você conhece esta história??!! O país tomou conhecimento das manifestações feitas pelos chefes das Forças Armadas nos dias 28 e 30, divulgadas à saciedade pela imprensa. Mas surgiu a voz de Leonel Brizola, com a Campanha da Legalidade, apoiando Jango e exigindo a sua posse, sem a redução de poderes que se negociava, contando com o apoio gaúcho e de outros Estados, contingentes militares e lideranças sindicais. Pateticamente, microfone à mão, a outra empunhando metralhadora, a sua voz dizia: "Não nos submeteremos a nenhum golpe. Que nos esmaguem. Que nos destruam. Que nos chacinem nesse Palácio. Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo (...). Resistiremos até o fim. A morte é melhor do que a vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Podem atirar. Que decolem os jatos. Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência de nosso povo". João Goulart aceitou o parlamentarismo e tratou de brigar pela sua rejeição, obtendo-a em 1963. Seu governo foi um governo de negociação, na tentativa de convencimento dos que se opuseram a ele, no Brasil e nos Estados Unidos. O discurso de 13 de março, na Central do Brasil, foi o ato de desespero último, diante do poder massacrante dos que queriam a sua queda. Os ventos que sopram hoje nos sugerem uma repetição. A história não se repete, a não ser como pastiche? É o que estamos vivendo. Em 1961, Brizola foi vencido pelo "bom-senso" de Jango, aconselhado por Tancredo Neves. Em 2016 não temos Brizola, mas temos Jaques Wagner e muitos outros, incentivando a vocação conciliadora de Lula. Assim que ele ceda, caminhando-se para o parlamentarismo de pastelão, a voz de Moro será calada e substituída pela de Jose Serra e Fernando Henrique Cardoso. Muito nos consolaria algum motivo de esperança. Onde ele está? Na aletheia?
Maria Fernanda

quinta-feira, 10 de março de 2016

11\03\2016
TEXTO "EM BUSCA DA VERDADE PERDIDA As ações da Polícia Federal são batizadas com nomes simples e de fácil memorização. E eis que surge a Operação Aletheia, como exceção. Simploriamente traduzida aletheia por verdade, ela não se dirige ao povo, mas claramente àqueles que a desejam, patrocinam e saboreiam. Antes de colher seus frutos, ela oferece o seu sumo: ela está programada para a destruição de Lula, uma solução mais compatível com a sensibilidade das elites. Haveria (ou há, como alerta Mino Carta) o caminho mais objetivo, mais rápido e imune a atos protelatórios, defesas e recursos jurídicos: o assassinato, promovido por um revoltado a quem se ofereça compensação ilusória, plágio do que já algumas vezes se cometeu nos Estados Unidos. Como tem dito e repetido a Presidência da República, a liberdade reconhecida à Polícia Federal e à Justiça Federal terá sido obra dos governos petistas, que rejeitaram sempre a prática da omissão, do limpar a sala-de-visitas, pondo-se a sujeira nas gavetas. Com que olhos Dilma Rousseff enxerga isso? Policiais e procuradores, cada um em sua esfera de ação, não se pouparam nunca do trabalho de esconder seus propósitos, animados por um ódio profundo ao "populismo" petista. Como isso não foi enxergado, tão evidente e cada vez mais proclamado em alto e bom som? A operação desencadeada em 4 de março definitivamente tornou ridícula qualquer tentativa para esconder-se a aletheia: a República de Moro pretende a cabeça de Lula, para atender àquilo que é desejado por todos os que têm na mídia, capitaneada pela Globo, o seu legítimo porta-voz. O Estado de Direito foi violentado por um simples juiz de primeira instância, mas o estupro foi aceito e assimilado. Ou, melhor dizendo, não foi percebido por uma maioria de cidadãos devidamente lobotomizados. Moro não foi procipitado. Muito foi feito para que o seu ato pudesse ser tomado como atitude de alguém dotado de sanidade mental. A condução sob vara de Lula, para depoimento, se não foi planejada como primeiro momento de uma operação mais violenta, já em si foi ato premeditado e inaceitável. Mas motivou o que? Além das delcarações de protesto de Lula, acompanhado pela indignação de Dilma Rousseff, mais o pronunciamento de um Ministro do STF e de alguns poucos advogados. As jusificativas apresentadas pelo autor da façanha não foram menos do que ridículas, maso silêncio as torna aceitáveis, ao menos para muitos. Nesse momento, vivem-se contatos e reuniões políticas, em tese feitos com o objetivo de dar-se solução a uma crise que está se avolumando e poderá atingir sue ponto mais alto com a prisão de Lula, objetivo evidente da Polícia Federal. Notícias sobre esses atos de emergência são até agora poucos e contraditórios. A grande mídia opta pelo silêncio. E os meios "alternativos" de comunicação começam a ser levados pelo pânico. Quem imaginou a hipótese de fazer de Lula um dos ministros de Dilma Rousseff, o que significaria a aceitação, não de culpa, mas do medo e da impotência. Sem mais detalhes, pode-se perguntar: o que se faria com o conjunto de críticas de Lula à politica econômica do Governo? Ela seria alterada? Sabe-se que não, o que é suficiente para que a hipótese seja posta na sua nudêz, no caso impudica. Confirmada a impotência, diante do poder totalitário da Justiça Federal, caberia a Lula impedir a consumação do ato de vontade das elites raivosas, a sua prisão. Não seria uma prisão política? Sim, claramente. Fica ele a possiibilidade de solicitação de asilo diplomático, podendo assim levar ao conhecimento da comunidade das Nações sobre a ação ilegítima de um órgão quer pertenceu ao Poder Judiciário, até sua opção por fazer-se instrumento de interesses econômicos. Um roteiro bem traçado vai ficando claro e permite que se identifique qual a aletheia buscada: a realidade dura e triste da entrega do petróleo brasileiro à Máfia, que controla mundialmente esse mercado. O projeto, proposto pelo próprio Governo, e aprovado no Senado, deverá ter a aprovação por maioria expressiva da Câmara dos Deputados, devendo ser em seguida sancionado por quem teve a iniciativa dele. Segundo ato, já sendo ensaiado: propõe-se a mudança de regime, do Presidencialismo para o Parlamentarismo de oportunismo. Aprovado esse, será o Congresso o poder que mudará todo o sistema de exploração do pré-sal, como primeiro quadro a ser encenado, que isso é o mais urgente. Quem se oporá a esse tipo de golpe, repetição do que foi feito em 1961, com João Goulart? Jango aceitou e Dilma aceitará! Alguma voz para opor-se? Não. No passado já remoto houve a voz de Leonel Brizola. E hoje que voz teríamos? O parlamentarismo desejado pelo PSDB, já abençoado por FHC, seria uma obra precária de engenharia politica, tanto quanto o foi o parido em 1961. A inquietação das elites, com a possibilidade de Jango assumir a Presidência, movimentou os líderes políticos e o Congresso. Nos bastidores, trabalharam intensamente na busca de uma solução para a crise nomes como o senador Amaral Peixoto, que presidia o maior partido, o PSD; os também pessedistas deputados Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Maria Alkmin, Martins Rodrigues e Nelson Carneiro; os petebistas Almino Afonso e San Tiago Dantas e o senador Afonso Arinos, da UDN. Esse quadro lembra por acaso a reunião promovida com Lula nos primeiros dias dessa semana? O país tomou conhecimento das manifestações feitas pelos chefes das Forças Armadas nos dias 28 e 30, divulgadas à saciedade pela imprensa. Mas surgiu a voz de Leonel Brizola, com a Campanha da Legalidade, apoiando Jango e exigindo a sua posse, sem a redução de poderes que se negociava, contando com o apoio gaúcho e de outros Estados, contingentes militares e lideranças sindicais. Pateticamente, microfone à mão, a outra empunhando metralhadora, a sua voz dizia: "Não nos submeteremos a nenhum golpe. Que nos esmaguem. Que nos destruam. Que nos chacinem nesse Palácio. Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo (...). Resistiremos até o fim. A morte é melhor do que a vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Podem atirar. Que decolem os jatos. Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência de nosso povo". João Goulart aceitou o parlamentarismo e tratou de brigar pela sua rejeição, obtendo-a em 1963. Seu governo foi um governo de negociação, na tentativa de convencimento dos que se opuzeram a ele, no Brasil e nos Estados Unidos. O discurso de 13 de março, na Central do Brasil, foi o ato de desespero último, diiante do poder massacrante dos que queriam a sua queda. Os ventos que sopram hoje nos sugerem que teremos a repetição. A história não se repete, a não ser como pastiche? É o que estamos vivendo. Em 1961, Brizola foi vencido pelo "bom-senso" de Jango, aconselhado por Tancredo Neves. Em 2016 não temos Brizola, mas temos Jaques Wagner e muitos outros, incentivando a vocação consiliiadora de Lula. Assim que ele ceda, caminhando-se para o parlamentarismo de pastelão, a voz de Moro será calada e substuída pela de Jose Serra e Fernando Henrique Cardoso. Muito nos consolaria algum motivo de esperança. Onde ele está? Na aletheia?
11\03\2016 -texto

O PROER para os amigos do Príncipe O PROER - Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, criado por FHC, foi um divisor de águas: o antes, com um sistema financeiro formado por bancos familiares e de raízes regionais; e o depois, com a grande concentração que depois de ajustes e reajustes conduziu aos tempos atuais, do Bradesco e do Itau. Foi antes de tudo, todavia, o grande uso dos dinheiros públicos em benefício dos banqueiros amigos do Príncipe, de forma ampla e sistemática defensores do mundo anti-democrático da casa grande & senzala. O PROER consumiu, segundo a CEPAL, R$ 111,3 bilhões. Durante a Ditadura, os banqueiros usufruiram de maneira ilimitada da liberdade de usos e costumes, permitidos pela censura e pela violência policial. Depois de 1985, favorecidos pela inflação que chegaria às beiras da hiperinflação, especularam, desfizeram-se de qualquer pudor, mesmo o mercantil e tornaram-se temerários, um comportamento criminoso que acabou adotado por vários dos grandes bancos. Todo o sistema financeiro foi afetado e o PROER, longe de punir os aventureiros, propôs a eles uma notavel tábua de salvação, o PROER. Os bancos que não tinham salvação entraram em liquidação extrajudicial. Outros, com ativos como agências e clientes, foram vendidos. Aqueles liquidados foram divididos em dois pacotes, a parte "boa"era vendida, para que continjuasse a operar, enquanto a parte "podre" era assumida pelo Governo. Na época, sete instituições tiveram acesso às linhas de financiamento do programa: Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul. Vinte anos depois do lançamento do Proer, dois dos sete bancos privados que receberam uma forte injeção de recursos públicos para não falirem e sofreram intervenção do Banco Central ainda têm uma dívida de R$24,1 bilhões com o governo federal. A família Magalhães Pinto foi, até o início dos anos 90, uma das mais ricas e poderosas do Brasil. Seu banco, o Nacional, era um dos maiores do país, com 1,2 milhão de clientes, quase 400 agências (incluindo pontos em Nova York e Miami) e mais de 40 000 funcionários. O patrocínio de Ayrton Senna deu ao Nacional um tmanho gigantesco. Pequenos e médios corretistas foram afetados com a bancarrota. Mas não os Magalhães Pinto. Por conta do grande número de viagens internacionais dos ex-controladores do Banco, a 1.ª Vara da Justiça Federal do Rio, onde foram julgados os processos criminais, teve de abrir um volume extra para registrar os pedidos de autorização de viagem. Desde novembro de 1996, os irmãos Magalhães Pinto e outros 14 ex-diretores do banco já encheram 500 páginas do volume. A vida nababescamente confortável da família a colocou nas colunas sociais do Rio de Janeiro, com as suas festas e exibição cinematográfica de luxo e riqueza. Os Magalhães Pinto – e toda a diretoria do Nacional – foram condenados em primeira instância pela Justiça Federal do Rio em fevereiro de 2002. Os filhos do fundador, com exceção de Ana Lúcia Magalhães Pinto, e mais um grupo de sete ex-executivos foram considerados culpados por formação de quadrilha e crime de colarinho-branco. Graças à constante interposição de recursos, evitaram a prisão. Em 2010 as condenações foram confirmadas. Os presos foram libertados, depois de terem sido presos pela Polícia Federal. Como último capítulo dessa novela escabrosa, os Magalhães Pinto imaginaram vender o que lhes restou no Banco Nacional a André Esteves, outro notável especulador financeiro, que teve como sócio o honorável Persio Arida, o antigo presidente do BNDES sob FHC, mas que foi preso, por obstar investigações da Polícia Federal na Operação Lava-Jato. André Esteves, beneficiado por medida do ministro Teori Zavascki, passou a cumprir pena em prisão domiciliar. O Banco Econômico pertencia ao baiano Angelo Calmon de Sá, que foi ministro de Geysel e de FHC. Foi ele o responsável pelo escândalo maior, dentro do imenso escândalo que foi o PROER. Os interventores do Banco Central encontraram em cofre de Calmon de Sá, na sua sala, na avenida Rio Branco, a relação dos políticos que receberam contribuições ilegais do Econômico nas eleições de 1990, o que ficou conhecido como escândalo da Pasta Rosa, em alusão à cor da pasta que continha documentos apreendidos no Econômico pelos interventores do Banco Central, no âmbito do Proer. Todos sabem do comprometimento de FHC com as manobras criminosas de Calmon de Sá. A crise da Pasta Rosa ficou tão grande que o poderoso Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que comandava o PFL – principal partido da base aliada do PSDB no governo federal – ameaçou romper com o governo caso o Econômico não fosse ajudado. FHC estava totalmente comprometido, como consta no seu próprio diário, publicado mais recentemente pela Companhia das Letras: "A história da Pasta Rosa continua. O Serra na TV Manchete diz que quer que se revele o conteúdo dela. Parece que hoje pediu ao procurador para mostrar a sua parte, que é não é nada. Tudo isso gera ruído. O Antônio Carlos disparou contra o Loyola pela televisão, diz também que tem documentos que comprovam que Loyola recebeu dinheiro de consultorias [antes de ser presidente do BC], como se o Loyola fosse culpado.” Absolvido em 1ª instância pela Justiça Federal da Bahia, Calmon de Sá foi condenado em 2007 a 12 anos de prisão, que jamais cumpriu, acumulando recursos e a boa-vontade judicial. Calmon de Sá manteve sua boa vida, desfrutada num apartamento em Nova York, numa casa de veraneio na Ilha de Itaparica, na mansão e na lancha que tem em Salvador. Finalmente, e só em março de 2016 foi condenado. Recorrerá da decisão, enquanto passeia pelas colunas sociais de Salvador. Nunca foi incomodado pela Polícia Federal. A falência pura e simples do Banco Econômico, nao fosse o PROER, atingiria alguns milhões de clientes, entre eles a REDE GLOBO e boa parte de suas grandes estrelas. A reconstituição da história do PROER exemplifica de maneira notável o mecanismo de corrupção, praticada em alta escala, e envolvendo todos os escalões do Governo, contado com a colaboração da Justiça Federal. Magalhães Pinto e Ângelo Calmon de Sá foram notáveis da Ditadura brasileira. Sobreviveram ao fim dos anos de chumbo, prosseguindo na sua sanha, em busca de riqueza e hostentação. Em nenhum momento foram objeto de rejeição pelas elites puritanas, que hoje clamam por HONESTIDADE.
Não ainda-  texto

"EM BUSCA DA VERDADE PERDIDA As ações da Polícia Federal são batizadas com nomes simples e de fácil memorização. E eis que surge a Operação Aletheia, como exceção. Simploriamente traduzida aletheia por verdade, ela não se dirige ao povo, mas claramente àqueles que a desejam, patrocinam e saboreiam. Antes de colher seus frutos, ela oferece o seu sumo: ela está programada para a destruição de Lula, uma solução mais compatível com a sensibilidade das elites. Haveria (ou há, como alerta Mino Carta) o caminho mais objetivo, mais rápido e imune a atos protelatórios, defesas e recursos jurídicos: o assassinato, promovido por um revoltado a quem se ofereça compensação ilusória, plágio do que já algumas vezes se cometeu nos Estados Unidos. Como tem dito e repetido a Presidência da República, a liberdade reconhecida à Polícia Federal e à Justiça Federal terá sido obra dos governos petistas, que rejeitaram sempre a prática da omissão, do limpar a sala-de-visitas, pondo-se a sujeira nas gavetas. Com que olhos Dilma Rousseff enxerga isso? Policiais e procuradores, cada um em sua esfera de ação, não se pouparam nunca do trabalho de esconder seus propósitos, animados por um ódio profundo ao "populismo" petista. Como isso não foi enxergado, tão evidente e cada vez mais proclamado em alto e bom som? A operação desencadeada em 4 de março definitivamente tornou ridícula qualquer tentativa para esconder-se a aletheia: a República de Moro pretende a cabeça de Lula, para atender àquilo que é desejado por todos os que têm na mídia, capitaneada pela Globo, o seu legítimo porta-voz. O Estado de Direito foi violentado por um simples juiz de primeira instância, mas o estupro foi aceito e assimilado. Ou, melhor dizendo, não foi percebido por uma maioria de cidadãos devidamente lobotomizados. Moro não foi precipitado. Muito foi feito para que o seu ato pudesse ser tomado como atitude de alguém dotado de sanidade mental. A condução sob vara de Lula, para depoimento, se não foi planejada como primeiro momento de uma operação mais violenta, já em si foi ato premeditado e inaceitável. Mas motivou o que? Além das delcarações de protesto de Lula, acompanhado pela indignação de Dilma Rousseff, mais o pronunciamento de um Ministro do STF e de alguns poucos advogados. As jusificativas apresentadas pelo autor da façanha não foram menos do que ridículas, maso silêncio as torna aceitáveis, ao menos para muitos. Nesse momento, vivem-se contatos e reuniões políticas, em tese feitos com o objetivo de dar-se solução a uma crise que está se avolumando e poderá atingir sue ponto mais alto com a prisão de Lula, objetivo evidente da Polícia Federal. Notícias sobre esses atos de emergência são até agora poucos e contraditórios. A grande mídia opta pelo silêncio. E os meios "alternativos" de comunicação começam a ser levados pelo pânico. Quem imaginou a hipótese de fazer de Lula um dos ministros de Dilma Rousseff, o que significaria a aceitação, não de culpa, mas do medo e da impotência. Sem mais detalhes, pode-se perguntar: o que se faria com o conjunto de críticas de Lula à politica econômica do Governo? Ela seria alterada? Sabe-se que não, o que é suficiente para que a hipótese seja posta na sua nudêz, no caso impudica. Confirmada a impotência, diante do poder totalitário da Justiça Federal, caberia a Lula impedir a consumação do ato de vontade das elites raivosas, a sua prisão. Não seria uma prisão política? Sim, claramente. Fica ele a possiibilidade de solicitação de asilo diplomático, podendo assim levar ao conhecimento da comunidade das Nações sobre a ação ilegítima de um órgão quer pertenceu ao Poder Judiciário, até sua opção por fazer-se instrumento de interesses econômicos. Um roteiro bem traçado vai ficando claro e permite que se identifique qual a aletheia buscada: a realidade dura e triste da entrega do petróleo brasileiro à Máfia, que controla mundialmente esse mercado. O projeto, proposto pelo próprio Governo, e aprovado no Senado, deverá ter a aprovação por maioria expressiva da Câmara dos Deputados, devendo ser em seguida sancionado por quem teve a iniciativa dele. Segundo ato, já sendo ensaiado: propõe-se a mudança de regime, do Presidencialismo para o Parlamentarismo de oportunismo. Aprovado esse, será o Congresso o poder que mudará todo o sistema de exploração do pré-sal, como primeiro quadro a ser encenado, que isso é o mais urgente. Quem se oporá a esse tipo de golpe, repetição do que foi feito em 1961, com João Goulart? Jango aceitou e Dilma aceitará! Alguma voz para opor-se? Não. No passado já remoto houve a voz de Leonel Brizola. E hoje que voz teríamos? O parlamentarismo desejado pelo PSDB, já abençoado por FHC, seria uma obra precária de engenharia politica, tanto quanto o foi o parido em 1961. A inquietação das elites, com a possibilidade de Jango assumir a Presidência, movimentou os líderes políticos e o Congresso. Nos bastidores, trabalharam intensamente na busca de uma solução para a crise nomes como o senador Amaral Peixoto, que presidia o maior partido, o PSD; os também pessedistas deputados Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Maria Alkmin, Martins Rodrigues e Nelson Carneiro; os petebistas Almino Afonso e San Tiago Dantas e o senador Afonso Arinos, da UDN. Esse quadro lembra por acaso a reunião promovida com Lula nos primeiros dias dessa semana? O país tomou conhecimento das manifestações feitas pelos chefes das Forças Armadas nos dias 28 e 30, divulgadas à saciedade pela imprensa. Mas surgiu a voz de Leonel Brizola, com a Campanha da Legalidade, apoiando Jango e exigindo a sua posse, sem a redução de poderes que se negociava, contando com o apoio gaúcho e de outros Estados, contingentes militares e lideranças sindicais. Pateticamente, microfone à mão, a outra empunhando metralhadora, a sua voz dizia: "Não nos submeteremos a nenhum golpe. Que nos esmaguem. Que nos destruam. Que nos chacinem nesse Palácio. Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo (...). Resistiremos até o fim. A morte é melhor do que a vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Podem atirar. Que decolem os jatos. Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência de nosso povo". João Goulart aceitou o parlamentarismo e tratou de brigar pela sua rejeição, obtendo-a em 1963. Seu governo foi um governo de negociação, na tentativa de convencimento dos que se opuzeram a ele, no Brasil e nos Estados Unidos. O discurso de 13 de março, na Central do Brasil, foi o ato de desespero último, diiante do poder massacrante dos que queriam a sua queda. Os ventos que sopram hoje nos sugerem que teremos a repetição. A história não se repete, a não ser como pastiche? É o que estamos vivendo. Em 1961, Brizola foi vencido pelo "bom-senso" de Jango, aconselhado por Tancredo Neves. Em 2016 não temos Brizola, mas temos Jaques Wagner e muitos outros, incentivando a vocação consiliiadora de Lula. Assim que ele ceda, caminhando-se para o parlamentarismo de pastelão, a voz de Moro será calada e substuída pela de Jose Serra e Fernando Henrique Cardoso. Muito nos consolaria algum motivo de esperança. Onde ele está? Na aletheia?
10\03\2016 postado FB

Já ouviram falar sobre o Banco Econômico e a "pasta rosa"?
A PASTA ROSA nos cofres de Calmon de Sá
O Banco Econômico pertencia ao baiano Angelo Calmon de Sá,foi ministro de Geysel e de FHC. Ele, o responsável pelo escândalo maior, dentro do outro,imenso: que foi o PROER. Os interventores do Banco Central encontraram no cofre de Calmon de Sá,em sua sala, na avenida Rio Branco, uma relação de políticos que receberam contribuições ilegais do Econômico nas eleições de 1990, conhecido então como:escândalo da Pasta Rosa, em alusão à cor da pasta que continha documentos. Todos sabem do comprometimento de FHC com as manobras criminosas de Calmon de Sá. Nessa lista estavam nomes de Luís Eduardo Magalhães, PFL/BA, José Serra, PSDB/SP, Francisco Dornelles, PPB/RJ, José Sarney, PMDB/AP e muitos outros, num total de 45 políticos.
A crise da Pasta Rosa ficou tão grande que o poderoso ACM, comandando o PFL – principal partido da base aliada do PSDB no governo federal – ameaçou romper com o governo caso o Econômico não fosse ajudado. FHC estava totalmente comprometido, como consta no seu próprio diário, publicado mais recentemente pela Companhia das Letras: "A História da Pasta Rosa continua. O Serra na TV Manchete diz que quer que se revele o conteúdo dela. Parece que hoje pediu ao procurador para mostrar a sua parte, que é não é nada. Tudo isso gera ruído. O Antônio Carlos disparou contra o Loyola pela televisão, diz também que tem documentos que comprovam que Loyola recebeu dinheiro de consultorias [antes de ser presidente do BC], como se o Loyola fosse culpado.”
(Maria Fernanda Arruda)

Não -- O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, apelidado de "Engavetador-geral da Republica" pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do processo sobre os políticos acusados de receber dinheiro de instituições financeiras para suas campanhas eleitorais, alegando falta de provas, e o STF acatou, cobrindo com um manto de mistério um dos maiores escândalos sobre financiamento de campanhas eleitorais da história recente do Brasil.
Mesmo assim, o banqueiro baiano continuou como réu, pelos muitos crimes financeiros cometidos. Graças aos seus advoogados e à conivência da Justiça Federal, e mesmo quando sistematicamente condenado, foi mantido livre, circulando pelas colunas sociais da capital vbaiana. Condenado nesta terça-feira (8), por unanimidade, Ângelo Calmon de Sá, recorrerá mais uma vez em liberdade. Afinal, ele tem muito mais do que um triplex no Guarujá, um barco de larta e dois pedalins: ele é um baiano branco, membro da elite dos banqueiros que sempre estiveram junto do PSDB e de FHC. A fraude do Banco Econômico é de R$ 13 bilhões, um valor inimaginável e pelo menos duas vezes maior que os R$ 6 bilhões estimados com o escândalo da Petrobras.
Não-

O PROER para os amigos do Príncipe O PROER - Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, criado por FHC, foi um divisor de águas: o antes, com um sistema financeiro formado por bancos familiares e de raízes regionais; e o depois, com a grande concentração que depois de ajustes e reajustes conduziu aos tempos atuais, do Bradesco e do Itau. Foi antes de tudo, todavia, o grande uso dos dinheiros públicos em benefício dos banqueiros amigos do Príncipe, de forma ampla e sistemática defensores do mundo anti-democrático da casa grande & senzala. O PROER consumiu, segundo a CEPAL, R$ 111,3 bilhões. Durante a Ditadura, os banqueiros usufruiram de maneira ilimitada da liberdade de usos e costumes, permitidos pela censura e pela violência policial. Depois de 1985, favorecidos pela inflação que chegaria às beiras da hiperinflação, especularam, desfizeram-se de qualquer pudor, mesmo o mercantil e tornaram-se temerários, um comportamento criminoso que acabou adotado por vários dos grandes bancos. Todo o sistema financeiro foi afetado e o PROER, longe de punir os aventureiros, propôs a eles uma notavel tábua de salvação, o PROER. Os bancos que não tinham salvação entraram em liquidação extrajudicial. Outros, com ativos como agências e clientes, foram vendidos. Aqueles liquidados foram divididos em dois pacotes, a parte "boa"era vendida, para que continjuasse a operar, enquanto a parte "podre" era assumida pelo Governo. Na época, sete instituições tiveram acesso às linhas de financiamento do programa: Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul. Vinte anos depois do lançamento do Proer, dois dos sete bancos privados que receberam uma forte injeção de recursos públicos para não falirem e sofreram intervenção do Banco Central ainda têm uma dívida de R$24,1 bilhões com o governo federal. A família Magalhães Pinto foi, até o início dos anos 90, uma das mais ricas e poderosas do Brasil. Seu banco, o Nacional, era um dos maiores do país, com 1,2 milhão de clientes, quase 400 agências (incluindo pontos em Nova York e Miami) e mais de 40 000 funcionários. O patrocínio de Ayrton Senna deu ao Nacional um tmanho gigantesco. Pequenos e médios corretistas foram afetados com a bancarrota. Mas não os Magalhães Pinto. Por conta do grande número de viagens internacionais dos ex-controladores do Banco, a 1.ª Vara da Justiça Federal do Rio, onde foram julgados os processos criminais, teve de abrir um volume extra para registrar os pedidos de autorização de viagem. Desde novembro de 1996, os irmãos Magalhães Pinto e outros 14 ex-diretores do banco já encheram 500 páginas do volume. A vida nababescamente confortável da família a colocou nas colunas sociais do Rio de Janeiro, com as suas festas e exibição cinematográfica de luxo e riqueza. Os Magalhães Pinto – e toda a diretoria do Nacional – foram condenados em primeira instância pela Justiça Federal do Rio em fevereiro de 2002. Os filhos do fundador, com exceção de Ana Lúcia Magalhães Pinto, e mais um grupo de sete ex-executivos foram considerados culpados por formação de quadrilha e crime de colarinho-branco. Graças à constante interposição de recursos, evitaram a prisão. Em 2010 as condenações foram confirmadas. Os presos foram libertados, depois de terem sido presos pela Polícia Federal. Como último capítulo dessa novela escabrosa, os Magalhães Pinto imaginaram vender o que lhes restou no Banco Nacional a André Esteves, outro notável especulador financeiro, que teve como sócio o honorável Persio Arida, o antigo presidente do BNDES sob FHC, mas que foi preso, por obstar investigações da Polícia Federal na Operação Lava-Jato. André Esteves, beneficiado por medida do ministro Teori Zavascki, passou a cumprir pena em prisão domiciliar. O Banco Econômico pertencia ao baiano Angelo Calmon de Sá, que foi ministro de Geysel e de FHC. Foi ele o responsável pelo escândalo maior, dentro do imenso escândalo que foi o PROER. Os interventores do Banco Central encontraram em cofre de Calmon de Sá, na sua sala, na avenida Rio Branco, a relação dos políticos que receberam contribuições ilegais do Econômico nas eleições de 1990, o que ficou conhecido como escândalo da Pasta Rosa, em alusão à cor da pasta que continha documentos apreendidos no Econômico pelos interventores do Banco Central, no âmbito do Proer. Todos sabem do comprometimento de FHC com as manobras criminosas de Calmon de Sá. A crise da Pasta Rosa ficou tão grande que o poderoso Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que comandava o PFL – principal partido da base aliada do PSDB no governo federal – ameaçou romper com o governo caso o Econômico não fosse ajudado. FHC estava totalmente comprometido, como consta no seu próprio diário, publicado mais recentemente pela Companhia das Letras: "A história da Pasta Rosa continua. O Serra na TV Manchete diz que quer que se revele o conteúdo dela. Parece que hoje pediu ao procurador para mostrar a sua parte, que é não é nada. Tudo isso gera ruído. O Antônio Carlos disparou contra o Loyola pela televisão, diz também que tem documentos que comprovam que Loyola recebeu dinheiro de consultorias [antes de ser presidente do BC], como se o Loyola fosse culpado.” Absolvido em 1ª instância pela Justiça Federal da Bahia, Calmon de Sá foi condenado em 2007 a 12 anos de prisão, que jamais cumpriu, acumulando recursos e a boa-vontade judicial. Calmon de Sá manteve sua boa vida, desfrutada num apartamento em Nova York, numa casa de veraneio na Ilha de Itaparica, na mansão e na lancha que tem em Salvador. Finalmente, e só em março de 2016 foi condenado. Recorrerá da decisão, enquanto passeia pelas colunas sociais de Salvador. Nunca foi incomodado pela Polícia Federal. A falência pura e simples do Banco Econômico, nao fosse o PROER, atingiria alguns milhões de clientes, entre eles a REDE GLOBO e boa parte de suas grandes estrelas. A reconstituição da história do PROER exemplifica de maneira notável o mecanismo de corrupção, praticada em alta escala, e envolvendo todos os escalões do Governo, contado com a colaboração da Justiça Federal. Magalhães Pinto e Ângelo Calmon de Sá foram notáveis da Ditadura brasileira. Sobreviveram ao fim dos anos de chumbo, prosseguindo na sua sanha, em busca de riqueza e hostentação. Em nenhum momento foram objeto de rejeição pelas elites puritanas, que hoje clamam por HONESTIDADE.
Nao 
O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.
Na época, sete instituições tiveram acesso às linhas de financiamento do programa: Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul. O Banco Econômico, um dos maiores no Brasil, patrocinador de Ayrton Senna, pertencia ao baiano Angelo Calmon de Sá, que foi ministro de Geysel e de FHC. Foi ele o responsável pelo escândalo maior, dentro do imenso escândalo que foi o PROER. Os interventores do Banco Central encontraram em cofre de Calmon de Sá, na sua sala, na avenida Rio Branco, a relação dos políticos que receberam contribuições ilegais do Econômico nas eleições de 1990, o que ficou conhecido como escândalo da Pasta Rosa, em alusão à cor da pasta que continha documentos apreendidos no Econômico pelos interventores do Banco Central, no âmbito do Proer. A crise da Pasta Rosa ficou tão grande que o poderoso Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que comandava o PFL – principal partido da base aliada do PSDB no governo federal – ameaçou romper com o governo caso o Econômico não fosse ajudado. FHC estava totalmente comprometido, como consta no seu próprio diário, publicado mais recentemente pela Companhia das Letras: "A história da Pasta Rosa continua. O Serra na TV Manchete diz que quer que se revele o conteúdo dela. Parece que hoje pediu ao procurador para mostrar a sua parte, que é não é nada. Tudo isso gera ruído. O Antônio Carlos disparou contra o Loyola pela televisão, diz também que tem documentos que comprovam que Loyola recebeu dinheiro de consultorias [antes de ser presidente do BC], como se o Loyola fosse culpado.” Absolvido em 1ª instância pela Justiça Federal da Bahia, Calmon de Sá foi condenado em 2007 a 12 anos de prisão, que jamais cumpriu, acumulando recursos e a boa-vontade judicial. Finalmente, em 8 de Março de 2016 foi condenado por unanimidade pelo STJ. Recorrerá da decisão, enquanto passeia pelas colunas sociais de Salvador. Nunca foi incomodado pela Polícia Federal. A falência pura e simples do Banco Econômico, nao fosse o PROER, atingiria alguns milhões de clientes, entre eles a REDE GLOBO e boa parte de suas grandes estrelas.

quarta-feira, 2 de março de 2016

TEXTO  04\03\2016

UTOPIA QUE VAMOS CONSTRUIR BRASILIA tem sido associada com frequência sempre maior a SODOMA, aquela que se deixou marcar pela ganância, pelo apego ao poder, pelo despudor no uso do prazer, pelo desfibramento do caráter e da dignidade, alguns textos acusando os sodomitas de blasfemos e sanguinários. A expressão Sodoma e Gomorra se aplica à cinco cidades-estado no Vale do Sidim, que nos é descrito como um lugar paradisíaco, ocupando uma área aproximadamene circular no vale do Mar Morto. Brasilia ocupa também um espaço especial, destinado por notável conjuntura de astros, que Dom Bosco localizou e Juscelino Kubitschek abençoou. E o que se informa sobre ela? jornais, revistas, televisão, internet e os visinhos? Aquilo que se conta em detalhe: os que habitam o planalto central, responsáveis pela promoção do bem social de seu povo, embeberam-se no poder certificado por cargos e títulos e o brilho exultante de seus olhos só permite que se enxerguem a si mesmos. O butim arrecadado do povo vem sendo crescente e permite a satisfação da multidão de homens e mulheres que fazem uma minoria ínfima da população. Brasília compara-se a um Levitã, descrito pela Bíblia, o maior e mais poderoso dos monstros marinhos, aquele que ninguém ousará provocar e que, ao levantar-se, faz tremerem as águas do mar. Ou será o Leviatã imaginado por Thomas Hobbes, o retrato de um governo autoritário, encarnado no Estado centralizador, o Leviatã que decide tudo, o que ordena todas as decisões, sem respeito à lógica, ao bom-senso e à moral? O Leviatã da República de Brasília conta com o séquito de seus sacerdotes: figuras demais reconhecidas em seu despudor, uma relação longa e pesada, dispensável de ser lembrada. O que se reserva a eles: o inferno descrito por Dante, onde ardem os que se entregaram à luxúria, à gula, à agiotagem e à traição. São eles. E lá estarão eles: os que remuneraram as amantes com dinheiro público, que se saciaram nos banquetes e nos restaurantes exclusivos, os que somaram fortunas imensas ao praticar um motocontínuo de lesa-pátria. Especialmente: os traidores do povo. Os habitantes dos muitos palácios traem a si mesmos, confabulam e festejam os seus sucessos. Podem executar danças pornográficas, as feições embelezadas pelo petróleo negro da Xevron, da Shell, da Máfia. A luxúria de Sodoma foi queimada pelo fogo e demolida pelas espadas dos enviados de Jeová. Nâo há mal que sempre dure. Os pecadores de Brasília pagarão, apenas não se sabe ainda quando e como. E desde agora precisamos estar prontos para dias melhores, mais justos, mas equânimes e felizes. Em primeiro lugar, que nos afastemos das pestilências exaladas pelas vozes e pela letras, seja da Rede Globo, seja da Veja e dos jornais que se tornaram porta-vozes do sistema financeiro. Afinal, temos a nossas fontes de informação, jornalistas competentes, que devem ser lidos e convidam à reflexão: Mino Carta, Audálio Dantas, Palmério Dória, Luiz Nassif, lembrando-se apenas alguns nomes, que uma listagem mais extensiva seria sempre injusta para com dezenas de outros nomes. E ao lado deles vão se posicionando os blogueiros, que vão se organizando em torno de projetos, como os do "Barão de Itararé". Uma sugestão: nao percamos nosso tempo e não desgastemos nossa paciência. Por que não divulgar e apoiar o programa do Ministério da Cultura, totalmente ingnorado pelas elites, para desenvolvimento dos Pontos de Cultura, que estão permitindo a penetração em comunidades e territórios, privilegiando os segmentos sociais antes excluídos? Juca Ferreira está prosseguindo no trabalho que já vinha desenvolvendo com Gilberto Gil, abrindo espaços para a expressão e enriquecimento cultural do povo, um antíodo mais que eficiente, o que poderá eliminar a influência nociva da televisão comercial. Na medida em que o povo brasileiro seja libertado e possa expressar-se, com as suas palavras, podendo lutar por suas ideias, todos os vícios políticos, criados em torno das vontades dos senhores do Poder, serão eliminados: as campanhas políticas baseadas em mentiras e em desvios de dinheiro público, a multiplicação de partidos politicos vendilhõe do templo, as figuras que foram gestadas nos tempos da Ditadura e que continuam a ser mostradas, como marionetes a cada dia mais ridículos. O exercício democrático não se sustenta apenas com base nos que foram privilegiados e podem já hoje contestar coerentemente. Precisamos de fato respeitar um povo que está sendo solicitado a desaprender a pensar e falar. A própria Presidência da República, antes de ter sido encurralada de forma vil pelos que não podem fazer o exercício democrártico, já havia anunciado a necessidade de uma nova Constituição, realmente democrática, voltada para o futuro do País e suas necessidades. Essa é a proposta mais urgente. Mas não poderemos esquecer que uma Lei Nova só fará sentido na medida em que o povo possa se expressar e ser ouvido. Grande parte desse povo é constituído de jovens. Melhor do que acompanhar dia-a-dia os desmandos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha não será apoiar a formação dessa juventude? Sabemos que uma qualidade lastimável de ensino tornou-se resppnsável por uma porcentagem inaceitável de analfabetos funcionais. E mesmo assim, quando foi necessário, houve uma juventude que ocupou as escolas e foi capaz de transformá-las em seu espaço. Tiveram o apoio de pais, de artistas, de intelectuais, de gente que sabe pensar. Não é esse o caminho? Nao fica a sugestão de criarmos espaços de convívio entre jovens e adultos, pensando sobre a escola, a cidade e o País? As REFORMAS DE BASE, peiteadas desde os primeiros anos de 1950, exigidas em 1964, depois esquecidas, precisam ser analisadas, sabidas, entendidas, deixando de ser apenas o apelo mais ou menos demagógico dos políticos profissionais. Esse é o pressuposto para que as ruas possam ser ocupadas, não com slogans não digeridos. Para que se exija uma reforma agrária, aí está o MST, com uma experiência magnífica, a ser ouvido. E junto com ele, todos os que estão preocupados com o uso abusivo de agrotóxicos e transgênicos. Não será mais razoável deixar de lado em alguns momentos a ação criminosa de Katia Abreu, para que se dê atenção aos que plantam e produzem de forma limpa e saudável?A essa gente somem-se os que estão lutando pelos índios e pelos camponeses que vão sendo trucidados. Os meios convencionais de informação estão e permanecerão calados. Como divulgar o crime, para poder exigir o castigo? Como divulgar o que está sendo bem feito? Quando a Ministra da Agricultura enfatiza a necessidade de incentivar a exportação de grãos, que argumentos somos capazes de propor em oposição a uma política que promove o retorno do Brasil à condição de Pátria exportadora de produtos agrícolas, que se completam com a venda de minério de ferro para a China, enquanto nossa indústria siderúrgica caminha para a falência? Se a compreensão desse mundo globalizado é difícil para a maioria de nós, o que imaginar quanto a um povo desinformado de tudo? Saber sobre isso não importa muito mais do que acompanhar malabarismos de um teatro de fantoches? O que pode nos animar? O povo brasileiro está se libertando de amarras que o prenderam à senzala. A vóz negra começa a ser ouvida. A vóz severa das mulheres está sendo ouvida. E o que nos compete fazer? Estarmos juntos dessa gente, fazendo com ela, e não nos deixando entorpecer pela risada macabra das hienas. Essas sim, que morram por fome e inanição.