quinta-feira, 21 de abril de 2016

22\04\2016

TUDO ESTÁ SENDO COGITADO, MENOS OUVIR A VOZ DO POVO
A Câmara dos Deputados escreveu, e todos pudemos acompanhar a produção da obra, um capítulo adicional: ao Apocalipse, ao Decameron, ao último longa-metragem dirigido por Arnaldo Jabor? Já se viu muito, já se ouviu muito, já se comentou muito. Mas há muito mais. Vale o atrevimento? Vamos identificar o que já é pronto e pacífico? 1. A Câmara dos Deputados é uma fossa negra fétida. Não é apenas primária. Ela é grotesca, na sua corrupção de botequim estabelecido em zona de meretrício. O Senado, de Ronaldo Caiado, Aécio Neves, Álvaro Dias, Aécio Neves, Aloísio Nunes ... e quase todos os outros, é menor, formado por políticos menos primários do que os formadores do “baixo clero”, mas não menos corrupto e comprometido com o golpe. 2. As figuras mais abjetas da Câmara são deputados que foram eleitos com votações consagradoras, bastando lembrar Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro. A perturbação mental de Bolsonaro, que nos provoca agora asco profundo, exigindo-se que seja cassado, repetiu-se em suas manifestações patológicas que sempre aconteceram; encerrando-se 2013, com émas a mudança para 2014 permitiu que a vontade fosse sepultada, com a conivência de todos, é preciso reconhecer, inclusive do PT. 3. Todas as negociações e manobras, conduzidas por Dilma Rousseff e seus ministros, e mais as que foram assumidas por Lula, tiveram um resultado amargo: o fracasso. O que elas foram, não há como saber. Brasília vive nos gabinetes, nos corredores, nas suítes de hotéis. Nada é público. Quem falou com quem? Quem prometeu a quem? E quem traiu quem? Não se sabe. A única certeza: o povo foi traído. Não se acreditou que a única força a ser oposta à máquina montada pela Máfia estava e está com povo. Lula escreveu a mais pobre das páginas de sua biografia política. É preciso que ele admita isso e junte sua voz aos que foram expor-se nas ruas e nas praças. 4. A um Congresso desqualificado tem que se opor um Executivo forte e competente. Salvando-se das manobras criminosas em curso, Dilma Rousseff em poucos dias estará envolvida em novas tramas e repetirá as mesmas inconsequências. Será preciso que ela receba e acate o apoio e a competência de gente competente, até agora não convocada pelo Planalto. O apressamento dos golpistas, que agora pressionam o Senado é compreensível: o tempo corre contra eles. A derrota que infligiram na Câmara atordoou a Lula, a Dilma, aos que carecem de interpretação digna de fé sobre o que pretende uma Brasília enigmática, onde o que precisa ser sabido não se permite que seja conhecido, não nos informa sobre nada. Renan Calheiros - e não nos enganemos: é figura pequena, falsa, negociável, ou mesmo já negociada, aparentemente manda que Eduardo Cunha se ponha na sua insignificância. Bate na mesa a Constituição e lembra a traição de Auro Moura Andrade, em 1961, como infâmia a não ser copiada. A não consumação do crime depende muito do comportamento do Presidente da Casa. E, mais ainda, do Presidente do STF. Como convencê-los à dignidade? Isso será possível? Por que caminhos? Todos nós, que não convivemos nos subterrâneos da Capital, só podemos imaginar o povo nas ruas, a pressão sobre os políticos que dependem dos votos. Onde está a base eleitoral de Renan Calheiros? Os coronéis do PMDB onde estão? Onde está Jose Sarney? Com quem eles estão negociados? Com a Shell? E com quem mais? Jucá é o recadeiro. E Jose Serra, o procurador. No Senado ocorrerá a grande batalha, em torno do pré sal. Uma obra trágica, com um primeiro ato já representado e que acena para a desgraça. Dilma Rousseff negociou, negociou muito mal e saberá como reparar o que está errado? Há certamente a possibilidade de um apoio internacional muito forte, que inviabilize um governo baseado na mentira e no rompimento da ordem. Uma última esperança? Esse é mesmo o tempo de perguntas, de tentativa de entender, de ter lucidez. O óbvio já está dito e redito. Como desatar agora a armadilha em que entramos, ávidos pelo queijo que deveria ter ficado ao apetite dos ratos? Temos que urgentemente buscar respostas. A UDR reclama as nossas cabeças e as nossas almas. Sabia-se do grande desafio representado pela pressão da Câmara dos Deputados, mas nem os prognósticos mais pessimistas estavam próximos da parafernália que se produziu ali, deixando evidente a incompetência dos esquemas arquitetados, para oposição ao golpe. Agora, o que iremos fazer? Onde estará o Lula? Nessa selva construída com indagações, podemos começar por buscar o rumo, olhando para o céu em busca de referência. Onde está o povo? Onde está a base para a construção de uma democracia de verdade, sem restrições impostas pelos anacrônicos donos do poder? Lula não deve ficar preso numa suíte de hotel, negociando com Judas. Ele precisa juntar-se ao povo nas ruas, não para cimentar uma candidatura em 2018, mas para salvar a democracia. Algumas vozes se levantam, imaginando uma solução para o impasse político com a imediata realização de eleições gerais: um começar tudo de novo e outra vez! Podemos imaginar que, calados os que se comprometem com um golpe assassino, imolando-se a Democracia em nome da “ordem unida” que a FIESP sabe muito bem comandar, a Presidência da República deveria encaminhar proposta de antecipação das eleições, como forma capaz de superar a radicalização de um antagonismo que tornou ingovernável o País. Ingenuidade? Ou incompetência safada? Começar de novo, conservados os mesmos mecanismos e os mesmos nomes, as mesmas instituições que herdamos de vinte anos de ditadura e meio século de alienação presenteada pelas telas de televisores. Os mecanismos políticos, permitindo a construção de mais de trinta partidos políticos, abrigando milhares de bandidos, não permitem que se obtenha algum resultado que ajude na reconstrução nacional. Se em Brasília adotam-se soluções de compromisso, em benefício de um mundo que não faz parte do Brasil, essa seria a solução ideal, cabível nos moldes alucinados do que se pratica lá, compatível com a cultura histórica do continuísmo da acomodação. É verdade: o remendo que nos deram em 1985 permitiu a construção de uma ordem mentirosa e que chega agora ao esgotamento inevitável. Antes de mais nada, é preciso que se defina o Estado de Direito, moldado por uma Constituição que não seja a carta de compromisso menor das elites, para com um povo que se reduziu à condição de rebanho eleitoral. Em 1988, uma “constituição cidadã” ordenou um País com os olhos voltados para o passado. Hoje, é necessário ter uma Carta que permita a construção do futuro. Como viabilizar uma Assembleia Nacional Constituinte? Teríamos que construir e viabilizar uma resposta. Uma Assembleia que seja constituída por homens e mulheres lúcidos e honestos, o que afasta a participação dos políticos e dos partidos políticos que operam hoje. Existem essa lucidez e essa honestidade. Mas como concretizar o que hoje é uma utopia? Em primeiro lugar, ouvindo-se o povo. As vontades e as vozes dos políticos de hoje aceitariam a antecipação das eleições gerais, desde que mantidas as regras que levariam ao mesmo lugar, ao que já existe hoje, não muito mais do que a institucionalização do que já está tramado. . Vale desenhar-se essa utopia, para que fiquem bem claros, o desejo de realiza-la; e ao mesmo tempo a sua impossibilidade no quadro atual, quando o Estado, compreendidos os seus três poderes, mergulhou em águas profundas de incompetência e de improbidade. Hoje, é preciso reconhecer que não bastam a retidão de caráter e a vontade firme de Dilma Rousseff, nem o carisma de Lula, nem o aval de 12 anos de política voltada para construção da dignidade do povo brasileiro. Tudo isso está sendo ameaçado. E de onde vem a ameaça, a força que foi capaz de unificar todos os segmentos componentes de uma burguesia modernizadora e periférica? As oligarquias senhoras e praticantes do mandonismo foram preservadas: elas estão presentes no Congresso Nacional. Os senhores de latifúndios criaram e são exaltados em seu modelo agroexportador, que lhes concede direitos: de matar índios e outros povos da floresta, de uso e abuso de agrotóxicos que envenenam a todo o povo, de adesão ao mundo dos transgênicos já condenados além dos limites da periferia. As elites conservam seus espaços exclusivos, seus usos e costumes de ostentação de poder, luxo e riqueza. O sistema financeiro mantém todos os seus lucros absurdamente assegurados por juros adequados ao mundo maravilhoso de Alice. O que há de novo nesse mundo que ainda está espelhado naquele herdado do mundo escravista, da casa grande & senzala? Os temores e desgostos dos que não querem repartir espaços, mesmo aqueles que não utilizam, por terem espaços melhores e que se conservam exclusivos, foram unidos, segmentos sociais que, transformados em varas, são unidos pelo “fascio”. No caso, o que os une é a ação satânica da Máfia do Petróleo. Entregue-se à Shell o pre sal, e em seguida a velha máquina tornará a funcionar. Já obtido o apoio e aliança os que fazem o “poder constituído”, só nos resta o que é o tudo: o povo. E esse povo carece de saber o que significa o roubo que está sendo praticado. Isso foi dito a ele? Quando? Como? Por quem?
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sábado, 2 de abril de 2016

O Karma é uma lei imutável. Assim como a lei da gravidade, a lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.