sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

21\01\2016

Para quem tiver interesse maior em saber o que está pensando Lula, existe aqui(na rede)circulando uma gravação de sua conversa com os blogueiros. Objetivamente, foi a prova da lucidez desse homem, que admite nunca ter sido de esquerda, mas um lutador contra a miséria do povo brasileiro. Ele sabe que não tem e nem quer ter formação teórica, que deixa à conta de Dilma Rousseff, sem deboches, falando a sério.
Ouvir Lula permite que se deixe de lado alguns textos tristes,construídos por alguns jornais (vergonha), reduzindo tudo o que foi dito a uma lauda mal escrita e descosturada. Não se faz crítica de má-vontade, mas que pode ser provada: "Durante a gestão Lula, o ex-ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, tentou reorganizar a política de comunicação federal – que não foi adiante na gestão de Dilma – de forma a promover a mídia independente, sem a qual a vitória nestas eleições seria inviável, segundo admitiu o próprio Lula, nessa entrevista". Um parágrafo hermético, pois não?
Lula apontou para a visão antiquada de uma mídia que seria dominada por seis famílias e comenta que foram-se os tempos de Roberto Marinho e Otávio Frias. Ele mostra a direção certa para análise da mídia brasileira, gerenciada por executivos profissionais a mando dos bancos. A argúcia de Lula é reduzida pelos jornais a um sentimento de "saudosismo", prova de que quem produziu a matéria não tem noção do que é o velho metalúrgico que, quando moço, foi entrevistado por Rui Mesquita - seria riquíssimo o trabalho que, feito com competência jornalística, comparasse os dois momentos, o que evidenciaria o quase meio século de coerência política de Lula. Rui Mesquita encantou-se com um jovem sindicalista que não portava consigo nenhum traço de esquerdismo, o que Lula confirma agora. Ninguém entenderá esse homem, se não levar isso em conta com toda seriedade.
Lula não perdeu a ternura nos momentos em que fez declarações muito duras: as esquerdas reclamam da imprensa e fazem o que? A direita se une e faz o Instituto Millenium. Todos morrem de medo em citar essa entidade que debocha da Nação, ou até mesmo há os que não sabem de sua existência. Lula sabe e sabe medir o que eles são capazes de fazer.
Quanto a Dilma, o apoio está acompanhado de cobrança firme: mudou o Ministro? E o que vai mudar? Lula deixa claro o seu desinteresse sobre discussões em torno de políticas de juros e papel do Banco Central. O que ele exige é que haja emprego, para haver o que comer. É a crítica mais dura possível à política econômica neoliberal do governo Dilma.
Enfim, três horas de fala motivam muito comentário, muita reflexão, e não o que fizeram alguns jornais "não poderiam nunca ter empobrecido numa página lastimável".