quarta-feira, 16 de março de 2016

16\03\2016

COMO QUEREM QUE SEJAMOS INÚTEIS
Os artigos periódicos de Belluzzo lembram e ensinam.
Os grandes crimes cometidos hoje pelos que são 'as elites' (o senhores do sistema financeiro) escapam à compreensão dos protestos da avenida Paulista, posto 5\ Copacabana,Esplanada ou do Forte em Salvador. O (des)conhecimento dessa gente de valor é transmitido pelos falsos analistas econômicos da mídia golpista. Todos farinha do mesmo saco, saudosistas hoje em dia. Como frisa o nosso amigo Belluzzo: seria incômodo recuperar as opiniões do senador José Serra dos tempos do neoliberalismo de FHC? Tempos das gôndolas nos supermercados abarrotadas de verduras francesas, berinjelas italianas, tomates espanhóis e prateleiras entulhadas de quinquilharias chinesas. Foi quando realizou-se também o sonho de Collor de Melo e de todos os coxinhas: as carroças fabricadas no Brasil foram substituídas por BMW, Mercedes-Benz, Audi.
Os analistas financeiros, transformam as oscilações das Bolsa em termômetro do bem-estar social, não se dão ao trabalho de olhar para o cidadão brasileiro. Repetem banalidades que desatam prejuízos do ajuste que desajusta. Belluzo observa: "o choque de preços administrados, combinado com a escalada da taxa Selic, produziu a depressão, o desemprego, a queda da receita fiscal." Editoriais, comentaristas econômicos e políticos fariam bem ao público se parassem de tratar brasileiros como ignorantes. Até porque os que protestaram no dia 13 já são mesmo: imbecilizados de colunas sociais.
15\03\2016
KAFKA: O PROCESSO ONDE NÃO IMPORTA QUE EXISTA A CULPA
O romance escrito por Kafka, e que não chegou a ser concluído por ele, conta a história de Josef K., um bancário que é processado sem saber o motivo. A figura de Josef K. é o paradigma do perseguido que desconhece as causas reais de sua perseguição, tendo que se ater apenas às elucidações alegóricas e falaciosas vindas de muitas fontes.
O processo contra K. foi instaurado por sua incapacidade de confessar sua culpa, e, por conseguinte, sua humanidade. O tema, largamente explorado por Kafka em toda sua obra, da não-humanidade torna o livro atual, provocando questionamentos dos costumes e crenças arbitrários da vida, que podem parecer, sob certo aspecto, tão bizarros quanto os acontecimentos da vida de K.
Tentando encontrar o sentido de uma acusação que não tem conteúdo, o personagem indaga à jovem amiga sobre a convicção de sua inocência: "acredita então que estou inocente?― Bem, inocente... ― disse ela ― não quero pronunciar já uma sentençade tanta responsabilidade; não o conheço; no entanto, para mandarem logo uma comissão de inquérito, deve tratar-se dum criminoso de respeito."
Kafka reproduz a negação do estado democrático de direito e, ao mesmo tempo, leva o leitor a perceber que, mesmo vivendo sob a égide da democracia "plena", há que se não perder de vista que as instituições não guardam sua razão de ser na prestação de serviço público, mas na submissão ao poder e às camadas dominantes. Será que Kafka está inspirando o juiz Sergio Moro?