quarta-feira, 30 de março de 2016

30\03\2016
TODOS OS GOLPES SE EQUIVALEM, MAS NÃO SE PARECEM
Em 1964 todos tínhamos como muito claro o apoio dos Estados Unidos ao golpe, e isso desde a posição cínica de John Kennedy. A conspiração foi feita em segrego, sabia-se que ela existia e só a voz histérica de Carlos Lacerda se antecipava no discurso da extrema-direita. A invasão dos interesses econômicos, prostituindo o Congresso, era sabida. Mas não foi denunciada. Teriam coragem, assim mesmo? E, se Jango, na sua tranquilidade de homem dos Pampas, não envolvia o povo na sua retórica, o "não vamos derramar sangue de irmãos", Darcy Ribeiro, então o jovem Chefe da Casa Civil, inflamava os que o ouviam na televisão. O comício da Central do Brasil convidava ao otimismo. A proclamação de independência, por parte de Magalhães Pinto, no primeiro momento foi ouvida como brincadeira de um velho caquético. A fala de Ademar de Barros, invocando a proteção do manto da Aparecida, coroava a sua sequência de deboches irrelevantes. Só quando as vacas fardadas se encontraram no Rio de Janeiro e Jango partiu é que se reconheceu o inevitável. Agora, entramos em março, sufocados pela pressão imoral da imprensa, desanimados pelas figuras asquerosas que formam o Congresso Nacional, e principalmente contestados por multidões que foram ensinadas a desprezar o Estado de Direito. As esperanças dos que se empenham contra o golpe branco estão sendo depositadas nas mãos dos juízes que formam o STF. Um fio de esperança? A contestação do óbvio? Reconheçamos: a derrubada de um governo eleito democraticamente hoje comoverá a uma minoria. A vitória sobre o golpismo trará alívio apenas aos conscientes. Mas não trará alegria, a satisfação pela continuidade de um governo voltado para o povo. Um golpe branco, em 2016, não criará um Estado Totalitário, mas um Estado que negará a política, transformando de vez os partidos e os políticos em capangas a serviço do capitalismo. Um governo Dilma Rousseff será, mais do que antes, o resultado de acordos e acertos. Cabe esperar por 2018. Que não se cometa esse erro primário mais uma vez. É preciso que se lute a partir de agora, trabalhando as eleições municipais. É preciso planejar as eleições de governadores, assembleias, câmara e senado. Em 2018 o Brasil estará sendo governado pelo PMDB, pelo "centrão", com ou sem Dilma Rousseff. O Brasil está voltando a ser o Brasil da Primeira República, dos coronéis e do mandonismo. Não sejamos simplórios. Não se trata de berrar LULA 2018. Precisamos de vereadores, governadores, deputado e senadores, para que não tenhamos maiis que engolir, forçados, "governos de coligação".