segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

12\12\16

Palavras francas e diretas: "Mas é verdade que, um partido de esquerda ativo e chefiado por Jorges Vianas é impossível. Esse senador do PT lacaio de Renan Calheiros e do PMDB, é a expressão de todo um grupo ao qual o partido se mantém amarrado como a um cadáver. São milhares de Jorges Vianas, de assessores, de ocupantes de cargos comissionados, de políticos profissionais assalariados, de aliados regionais do PMDB, de dependentes crônicos, etc., enfim, um número razoável de parasitas estrangulando a planta." 
Palavras inaceitáveis para o petismo burocrático stalinista, que se satisfaz no culto fácil das personalidades, aquele que, moldando o futuro no passado, construiu-se como projeto sebastianista. E só!


Por Maria Fernanda Arruda, colunista do Cafezinho
Depois de 40 anos, e simbolicamente no mesmo dia em que Dilma Rousseff foi cassada, o restaurante Piantella fechou. O cliente símbolo dessa "casa de pasto"  foi Ulisses Guimarães, aquele que, conta a Estória, optou por não morrer ... E desapareceu pelo mar afora.
Além dele, o Piantella recebia regularmente figuras  como Tancredo Neves, FHC, Serra, Miro Teixeira, Jose Dirceu. Em torno dele construíram-se lendas e legendas, as suas mesas assistindo a confabulações que seriam decisivas na História do Brasil.
Mas o restaurante, sua fama correndo mundo-afora, tornou-se demais popular para o refinamento elitista ou mesmo para a grosseria das novas gerações de políticos. A sofisticação não era propiciada apenas pelo ambiente e pelo cardápio, era o resultado de postura de políticos que antecediam à era de Fernando Collor de Mello.
Conta a crônica social da Novacap que o Piantella está reaberto, com a jornalista Valéria Vieira, casada com Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de causas que não devem ser noticiadas nos jornais; pois foi quem comprou a parte de seu sócio, Marco Aurélio Costa. O neo-Piantella não é o antigo, reaberto: é novo, como são novos os tempos e composturas vividos e experimentados em Brasília.
Os responsáveis cuidam em avisar: "quem for ao salão vai encontrar um ambiente totalmente novo, sem as antigas poltronas acolchoadas, as cortinas e a lareira, que fazem parte do imaginário popular brasiliense. Até o famoso quadro com o retrato de Ulysses Guimarães talvez não esteja mais lá." Coerente: nem Ulisses, nem seu retrato, e nem a Constituição que ele tutelou.
Na verdade,o velho Piantella  não morreu e existe, uma grande, enorme pizzaria, que atende em seu mais novo endereço, onde no passado funcionou um Tribunal que se entendia supremo. Entre suas paredes não se conspira, pois que os acertos e ajustes, nascidos de conversas longas e concessivas, não podem correr o risco da inconfidência dos jornalistas. A metamorfose foi contestada, não houve unanimidade; mas quase.
Nunca se viu, na história do Supremo Tribunal Federal, um apelo tão patético ao espírito de corpo como o feito pelo ministro Marco Aurélio Mello na tensa sessão plenária da última quarta-feira, 7 - a que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. Depois de citar, um a um, os nomes dos oito ministros que iriam votar a seguir, enumeração inédita, Marco Aurélio os instou, dramaticamente, a que o acompanhassem na liminar contra o inimigo jurado daquele momento. "Que cada qual, senhor de uma biografia, senhor da busca pelo fortalecimento do Supremo como poder maior, cumpra o dever de prestar contas à história". A proposta para preservar Calheiros na presidência do Senado foi classificada como "famoso jeitinho brasileiro" e "meia sola constitucional".
Mas o trabalho o STF foi mesmo o de um sapateiro, uma "meia-sola", tentando construir uma solução para uma crise política, que nunca foi constitucional. A presidente Cármen Lúcia, depois dos elogios a Marco Aurélio, falou em "prudência, convívio mais fácil, busca do consenso em benefício do Brasil".
Citou, oportunamente, o recém-falecido poeta Ferreira Gullar: "Uma parte de mim é permanente/outra parte se sabe de repente". Marco Aurélio saiu carregado de solidariedade retórica. Do que realmente queria - a confirmação de seu poder, em momento de arroubo emocional - não levou absolutamente nada. A sessão mostrou que a Corte ferve por dentro. Um dia explode, ou se desintegra como cadáver insepulto. A Ministra não teria necessidade de votar, pois o grande "sarapatel" já estava pronto para ser servido à Nação Brasileira. Seu voto foi o autógrafo concedido à obra que foi sua, cozida por suas mãos, segundo receita prolatada pelo colega e amigo Gilmar Mendes.
A maioria dos ministros do STF condoeu-se com a "crise nacional", deixando claro o entendimento/equívoco de que o plano Michel Temer-banca internacional representa a salvação da Pátria amada, o que, tão claro e cristalino, não é de competência do Poder Judiciário.
Mas não se deixou impressionar com o currículo criminoso de Renan Calheiros, o que também  a imprensa empenhou-se em esconder. Como líder do governo Collor de Mello, foi ele quem divulgou com empenho notável o conjunto de medidas inconstitucionais que assaltavam os brasileiros, incluindo-se o confisco de ativos em cadernetas de poupança. Um conjunto de denúncias de corrupção atingindo Renan Calheiros ocupou as manchetes da imprensa brasileira em 2007. O caso foi chamado de Renangate, neologismo aludindo ao escândalo do Watergate e outros que usaram a mesma terminação -gate.
Em 1º de dezembro de 2016, oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal aceitaram a denúncia e Renan Calheiros virou réu em uma ação penal pelo crime de peculato. No mesmo dia, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Claudio Lamachia, defendeu o afastamento imediato do presidente do Senado, após ter sido feito réu por peculato. Em comunicado, diz que "não se trata aqui de fazer juízo de valor quanto à culpabilidade do senador Renan Calheiros, uma vez que o processo que o investiga não está concluído".
Das fornalhas do Congresso estão sendo trazidas ao consumo público pizzas as mais bizarras. O cardápio estará sendo lido com correção? Tentando entender, convenhamos: Gilmar Mendes, presidindo o TSE e controlando o STF, através da Ministra, sua devota mais que fiel, tem todos em suas mãos: os que devem à Justiça, todos enfim, inclusive os senhores do PT. É preciso conservar Calheiros!!! O PT colabora. A covardia dos senadores precisa o biombo do voto anônimo? e, de novo, O PT colabora. Não se inventa nada aqui, apenas constata-se. Para os senhores do Congresso, importa que se reequilibrem as instituições abaladas pela Verdade e pelo Pudor.