quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LULA, O METALURGICO A figura do Lula, o que surgiu como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, é lembrada, associada às greves, o jovem barbudo a quem faltava um dedo. Hoje, essa figura está eclipsada pela do Presidente da República, líder do povo, envolta em carisma que nem seus inimigos mortais se atrevem a negar. Mas será preciso reconhece-la, para que se entenda o homem de hoje, o que não é apenas o Lula, mas o que governou o Brasil por 8 anos e que marca a História desse País desde 1975.
Lula aproximou-se do Sindicato dos Metalúrgicos em 1972, incentivado pelo irmão, o Frei Chico. Em 1975 foi eleito seu presidente, uma ascensão rápida e que deve ser entendida como resultado de seu carisma, já evidente, embora não amadurecido ainda, mas também como possível, em função da baixa adesão do operariado ao sindicato. Àquela época, só se aproximavam dele os operários qualificados, logo adiante classificados como “ferramenteiros”, mesmo assim mal chegando aos 30% de inscritos no sindicato. As comunidades eclesiais de base pareciam mais confiáveis e os sindicatos carregavam a imagem de órgãos de assistência, especialmente a médica. Como ingrediente da receita do bolo de Delfim Neto, o que precisaria crescer, antes que se discutisse sobre a sua divisão razoável, constava a manipulação dos índices que iriam corrigir a remuneração dos assalariados. Acusada a fraude por Mario Henrique Simonsen, a mando do ditador de plantão, Ernesto Geisel, os números reais chegaram à imprensa, onde um jovem articulista e professor da FGV, Eduardo Suplicy, explorou o tema constantemente. Desfraldou-se então a bandeira da “reposição salarial”, que comovia não só os operários, e à sua sombra o jovem Lula conseguiu conduzir uma greve de 40 dias, paralisando a indústria do ABC paulista, derrotando a intransigência petulante da FIESP e a coação das forças policiais, e obtendo atendimento à grande parte das suas reivindicações. As elites começavam a ter a sua atenção voltada para aquela figura de um barbudo mal ajambrado, que berrava do alto do carro-de-som do sindicato, sem qualquer medo da ditadura. Essa coragem começava a ser admirada. Em junho de 1978, um dos príncipes da grande imprensa, Ruy Mesquita, que carregava o nome pomposo e mais uma clara competência profissional, entrevistou o Lula. Quatro horas de conversa, postas depois em mais de 100 laudas datilografadas, mostraram o jovem sindicalista em corpo inteiro, claro e honesto, para gáudio do aristocrata que conversava com ele: o líder dos operários não era um marxista e muito menos um anarquista. Esse retrato não deveria ter sido esquecido, pois que ele mostra o Lula, pouco preocupado com manobras políticas, demonstrando respeito nenhum por políticos e suas instituições, inclusive o PMB, que se apresentava então como oposição à ditadura, ostentando a figura heráldica de Ulisses Guimarães. Os movimentos estudantis também não o comoviam: estudante deve ficar estudando. O Lula de 1978 estava totalmente concentrado na luta pelo salário e mais algumas reivindicações básicas, quanto a trabalhos forçados em horas-extras, segurança e insalubridade. Taxativamente, disse a Ruy Mesquita que não sabia nada sobre Economia e que não tinha qualquer interesse político. Ele não era um alienado, era um “obreirista”. A questão a ser pensada: quando ele deixou de ser, quando reconheceu que a classe operária carecia de muito mais do que um líder sindical? A má-fé assustadoramente petulante dos barões da FIESP levou à greve de 1979, que enfrentou uma violência das forças policiais ainda maior, e que se arrastou por mais de 40 dias. Foram necessárias competência de organização, logística, apoio de setores da sociedade, como o de segmentos do clero e de intelectuais, tudo isso movido pelo imenso carisma que Lula já demonstrava. Além das viaturas da Rota e dos helicópteros montados em metralhadoras, foi necessária coragem muito grande para enfrentar o fantasma da fome. O que em geral não se conta: o operário em greve não recebe nada no dia de pagamento, não é funcionário público. Os dias passam e 40 dias são muitos dias, e o dinheiro e a comida vão acabando. As mulheres reclamam: “vá trabalhar, vagabundo”. E o Comando de Greve precisa vencer esses obstáculos todos. Valeria a pena? A greve, decidida por 60 mil operários espremidos no Estádio da Vila Euclides, foi tida por ilegal pelo TRT, por ordem e mando dos ditadores. A FIESP, no auge de sua arrogância, negou-se a qualquer negociação. Foi nesse momento que teve início a grande derrota ... da Ditadura. Murilo Macedo, Ministro do Trabalho deslocou-se para São Paulo e procurou coagir Lula, tendo com ele uma conversa de varar madrugada, instalados em rico apartamento da rua Barão de Capanema. A notícia foi passada para a imprensa, o que era conveniente, poderia comprometer o Lula, dando a ele roupagens de pelego. Já havia o destemor no “conversar com o inimigo”, e que hoje muitas vezes criticamos nele. Em alguns casos, injustamente. Ele já conseguia associar a sua figura de força carismática à disposição para a conversa, a negociação e o acordo. Em algumas ocasiões isso resulta em algo. Não foi o caso do entendimento com Murilo Macedo. Os operários, novamente reunidos sob a mira das metralhadoras que voavam sobre as suas cabeças, decidiram prosseguir com a greve. Lula foi preso, por desacato à vaidade de um sabujo da ditadura; ele, mais diversos dirigentes do sindicato, posto sob intervenção. Mesmo com os diretores do sindicato presos, a diretoria cassada, o sindicato sob intervenção e a proibição de fazer reunião, houve manifestação no dia 1º de maio. Após a missa, os trabalhadores decidiram enfrentar os militares e o governo de Paulo Salim Maluf e dirigiram-se a pé até o estádio da Vila Euclides. Eram mais de 100 mil operários, somando-se a eles gente do povo, artistas, músicos, professores, diante disso o Exército e a polícia de Paulo Salim se retirando. Sem intermediários a intimidar, os operários ajustaram-se em negociações feitas diretamente com as empresas. A ditadura era posta nua, na sua incompetência. Estava derrotada e foi lá, em São Bernardo, com Lula, que ela começou a cair. O movimento das “diretas já”, graças a ele, foi possível, e sem sofre pressões de forças policiais. A violência desastrada fez dele o Herói dos operárioos. As classes médias ouviram e aplaudiram os que tomou por seus heróis: os oradores Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, os políticos que deixaram suas plateias a esperar, enquanto negociavam uma eleição de bastidores. Em fevereiro de 1980 foi fundado o PT: “Em oposição ao regime atual e ao seu modelo de desenvolvimento, que só beneficia os privilegiados do sistema capitalista, o PT lutará pela extinção de todos os mecanismos ditatoriais que reprimem e ameaçam a maioria da sociedade. O PT lutará por todas as liberdades civis, pelas franquias que garantem, efetivamente, os direitos dos cidadãos e pela democratização da sociedade em todos os níveis”. Começava a surgir o senhor Luiz Inácio Lula da Silva. O Lula havia aprendido que o aviltamento dos salários não era determinado pelo Ministro do Trabalho, nem pela FIESP, nem pela Volkswagen; era e é necessidade do sistema capitalista. Em nenhum momento, entretanto, ele entendeu e muito menos disse que, em sendo assim, “lutemos pela queda do capitalismo”. A sua proposta foi e é a de luta por condições dignas de vida para o povo brasileiro, dentro do sistema. Todos precisamos comer. Já não se mirava apenas o operário, mas sim uma imensa classe social, o “povo”, os herdeiros da senzala. Nunca o ideário do petismo de Lula desejou o exercício direto do Poder pelo povo, mas sim a “inclusão social”, entendendo-se que ela se obtém quando é ultrapassada a barreira da miséria e da pobreza absoluta. Uma filosofia política aparentemente simplista não será entendida, entretanto, com as simplificações que lhe fazem as elites. Em resumo: o PT existe, não para que o povo chegue ao Poder, mas para que Lula chegue ao poder, com o compromisso de resgate dos oprimidos. O PT não é revolucionário, não é “de esquerda”, é ainda o “partido obreirista”, nascido nos confins de São Bernardo do Campo, apenas se fazendo uma “família” muito maior, de proporção nacional. Personalismo? Sim. E aí se encontram as figuras de Vargas e de Lula. O carisma levado ao seu mais alto grau, o que simploriamente podem rotular como “personalismo”. Mas admitamos, para que seja possível pensar no futuro, que nenhum partido político, socialista ou comunista, construiu mais para a classe operária, ou, como sempre será mais exato identificar, para o povo brasileiro. Vargas deixou como legado a legislação trabalhista e a Justiça do Trabalho. E o presidente Lula? Ele salvou da miséria algo como 40 milhões de seres humanos. Suas práticas foram “assistencialistas”? Foram e não poderiam ter sido outras. Podem até mesmo ganhar o título de “paternalistas”. No Nordeste ouve-se comumente: “não votar no homem seria ingratidão”. O paternalismo, agrade ou não aos mais letrados e mais fornidos de dinheiro, é valor fundamental na cultura do povo brasileiro, faz todo sentido no seu mundo, marcado antes pelo direito de uso e gozo dos senhores da casa grande, depois pelo mandonismo dos coronéis. É preciso primeiro que se mude esse mundo, o que não se consegue com o fornecimento de “vara de pescar”, como sempre alardeou a “política social” pretendida pelas elites. A preocupação com o povo jamais foi perdoada pelas elites saudosas do escravismo. A elas associam-se os interesses do sistema financeiro e dos capitais estrangeiros. Vargas foi o tiranete vindo dos Pampas; Lula, o metalúrgico estropiado vindo dos cafundós das fábricas. A primeira maquinação, visando destruí-lo, foi arquitetada e muito mal por Fernando Collor de Mello, que se elegeu graças ao pudor do homem que não soube reagir às suas infâmias. Um velho líder sindical, saído dos quadros do Partido Comunista, foi então sustentado a bom soldo, para criar a Força Sindical que se oporia à CUT. Medeiros ganhava mesada dos empresários de São Paulo, antes de se fazer político recebido em Palácio. A luta contra o assalto das tropas sob comando de FHC foi perdida, na medida em que não impediu o saque à Nação. Mas foi ao mesmo tempo ganha, na medida em que foi o PT quem restou, como voz clamante no deserto, a apontar para a desfaçatez coroada pelos interesses econômicos. A transformação do sonho neoliberal em pesadelo do desemprego, associado à metamorfose do “Sapo Barbudo” em “Lula Paz e Amor”, obra de marketing político (Duda Mendonça) e desassombros negociais (Jose Dirceu), e eis o jovem Lula, transformado em líder da Nação, posto na Presidência da República. Lula referiu-se à herança maldita. Mais não fez e, ao não a desmistificar, confirmou sua arriscada tendência à composição, ao acordo. Esse silêncio: o Brasil estava posto na periferia do mundo globalizado, a sua economia internacionalizada, o sistema financeiro internacional adentrado pelas portas arrombadas de uma Constituição, a que todos tínhamos aclamado como “Cidadã”, exceto o próprio Lula. De alguma forma, valeu o dito popular: “quem cala, consente”. É preciso admitir que, depois de FHC, a Presidência da República passou a poder pouco. Ao meio das festas pela primeira eleição vencida, Celso Furtado alertou: a vitória de Lula é importante, mas ele chega à Presidência com uma pequena margem de manobra. As figuras consentidas, no Ministério da Fazenda e no Banco Central, logo confirmaram isso. Mas, por justiça, reconheçamos que, com as vitórias seguintes nas urnas, houve concordância geral: aceitou-se. As conquistas: liquidação da dívida externa e da dependência do FMI, a acumulação de reservas, a consolidação de uma nova política de comércio internacional, tudo se atribuiu indevidamente à conjunta favorável. Ora, como esquecer que boas conjunturas foram desperdiçadas tantas vezes? O que terá sido feito nos idos de Gaspar Dutra, de Juscelino Kubitschek, de Garrastazu Médici? Naquilo que ainda era possível, Lula agiu e acertou, em especial na libertação da já secular subserviência aos Estados Unidos, com a rejeição à ALCA. Lula assumiu com a vontade do nordestino retirante: brasileiro não pode passar fome, ele tem que comer três vezes ao dia. Retirar milhões e milhões de brasileiros da miséria é coisa pouca? Alguém terá feito algo parecido? Ele se fez o Grande Presidente, o Herói do Brasil. Absolutamente imperdoável. As elites anacrônicas, a elas somando-se os interesses do sistema financeiro e dos rentistas, e mais a ação clandestina da Máfia do Petróleo, querem, no querer de sobrevivência, destruir o Herói. Destruir Lula é preciso. Ele passa a ser cobrado pela inapetência de uma economia que foi sangrada pelos açougueiros que não foram em tempo denunciados. Ele passa a ser acusado pelos atos de corrupção praticados, absolutamente iguais aos da concorrência. Até agora Lula tem reagido muito mal aos ataques de bandos de urubus. Lembra o Lula posto diante do super-Collor. Admitamos: ele não se colocou em pé e com dignidade diante do que aconteceu sob comando de José Dirceu. Todos sabemos que houve erros e muito sérios. Admiti-los com decência significa a certeza de que não serão repetidos. Mas “o hábito do cachimbo faz a boca torta”. Onde a disposição para uma limpeza de faxina grossa nos quadros de um partido reconhecidamente envelhecido, curtido no sabor do Poder? Como enfrentar as incompetências na gestão da Petrobrás, que tomaram a forma abjeta da corrupção? Isso não será feito, na alegação de que sempre foi assim, o que é verdade. É preciso de o Governo, que é PT, tenha competência para definir novas formas de gestão da coisa pública. E isso não foi feito ainda, admitamos.
  • É preciso fazer a hora da verdade e dizer com letras todas, efes e erres, que não será apoiada uma política que entrega o Brasil aos banqueiros. Lula tem que dar-se o respeito, não pode agora ser ameaçado por novas “forças ocultas”. Vargas teve a coragem de dar nome aos bois. Não os enfrentou. Lula, que enfrente e tenha certeza de que o seu carisma conduzirá o povo brasileiro.
Os ministros Meirelles e Jucá não se propõem a qualquer empenho numa reforma tributária, que elimine ou reduza os privilégios que contemplam os mais ricos, pessoas físicas e jurídicas. Os jornalistas que acompanharam a fata da dupla ministerial, representando a imprensa, calados estavam e calados permaneceram: apenas um repórter perguntou sobre uma eventual reforma tributária. Para Jucá, isso não é problema de ministro, é assunto a ser resolvido no Congresso; quem sabe, sob comando de Cunha.
A dupla Meirelles & Jucá usou do tempo que lhes foi concedido pela imprensa para justificar a necessidade de uma política de “arrocho”, com a tão desejada eliminação de gastos sociais, e mais um aumento “temporário” da carga tributária. Completa-se o quadro com a intenção da “reforma da previdência social”, injustificável, quantificada com números mentirosos e planejada de forma obtusa e primária, compatível só mesmo com a alienação generalizada em Brasília – infelizmente,​não esqueçamos​, as ideias que agora do governo interino já foram defendidas pelos ministros da president​a​, não ​prosperand​o em função d​a rejeição radical por parte dos movimentos sociais.​ ​

Além desse objetivo, a mesma dupla tratou de utilizar seu tempo para sugerir a irresponsabilidade e incompetência, que seriam ​traços ​exclusivos dos governos petistas. ​ N​ão se preocuparam ​na ​ explica​ção​ ​d​o ​descontingenciam​ento​​ de R$ 21 bilhões, do total de R$ 44 bilhões que já tinham sido retidos pela Presidenta​,e​ ​nem chegaram a ​ comentar o aumento agora previsto de mais R$ 20 bilhões nas despesas. Voltemos a lembrar Guido Mantega.
À medida em que os pronunciamentos vão sendo feitos, ​fica claro o quadro que um otimismo feliz e irrealista ​impede​ ​que enxerguemos​. Não há governo interino do PMDB, mas a usurpação do governo pelos donos do poder, utilizando-se de figuras do PSDB. Jucá será o manobrista político de Henrique Meireles, o elo de ligação com o Congresso, controlado pelo PMDB (Eduardo Cunha, sombra mandante de Temer). Jose Serra​,​o orientador do processo que pretende rifar o Estado Nacional, muito mais descarado do que aquele procedido nos anos de FHC. Os homens do PSDB querem o poder político como meio para atingir os objetivos de liquidação da Petrobrás, do Banco do Brasil, do BNDES, da Caixa Econômica Federal: eles são os instrumentos da Máfia do Dinheiro. Eduardo Cunha estará satisfeito com o seu poder de régulo,suficiente para usufruir de um enriquecimento digno de um Salomão​.​ O PMDB, reforçando-se no “centrão”, estará consolidando o mandonismo coronelístico retrógrado.
Como chegamos a isso? Há sem sombra de dúvidas a coordenada e competente dos que visam lucrar com a liquidação do Estado brasileiro. Não só ele, mas a atuação do Instituto Millenium foi e está sendo fundamental, reunindo a disciplinando a ação de banqueiros, grandes empresários e donos da imprensa; e não se despreze a importância e as armas da Opus Dei. Hoje, é muito claro o controle e comando exercidos, não só no Parlamento, mas no Judiciário. Não basta a ação intempestiva e desequilibrada de um juiz de primeira instância (Sérgio Moro), mas existe a opção clara de boa parte dos ministros do STF pelo golpe (quase todos indicados pelos governos do PT). A Justiça Eleitoral está nas mãos dramáticas de Gilmar Mendes; e o TCU é dominado por velhos coronéis do PMDB.
Houve e há, inequívocos, erros, omissões e incompetências de um Governo que se fez e que foi enfraquecido. Há como reagir. Em que pese a omissão burocrática do PT, o povo vai ocupando as ruas, os jovens, os artistas, os intelectuais, a CUT, o MST, profissionais liberais. A figura antes distante e fria de Dilma Rousseff está sendo humanizada pelos que a traíram e pelos golpistas em geral. O que é mais do que nunca necessário: que Dilma Rousseff seja assessorada por competências, quando já não bastam os homens e mulheres “de confiança”.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Na sua versão mais nova, o discurso neoliberal pretende a independência do Magistério Público e da Polícia Federal. Não basta a postura passiva e covarde que está sendo adotada, sob a justificativa de respeito à ação moralizadora desses órgãos, que se pretende assumam de vez a roupagem de “santos inquisidores”. O que se alega sem quaisquer escrúpulos: a incapacidade de um Poder Executivo que seria conivente com a corrupção. Quem alega isso? Os notórios corruptos, que comandam já a Câmara dos Deputados e que encontram na figura de Sérgio Moro o Savonarola do século XXI.
O fascio constitui-se de um feixe de varas de bétula branca, simbolizando o poder de punir, amarradas por correias vermelhas (fasces), símbolo da soberania e a união. Muitas vezes o feixe é ligado a um machado de bronze, que simboliza o poder de vida e morte. Em que medida o Brasil caminha rumo ao Fascismo? O rumo que tomado está exatamente nisso: o poder do Estado de Direito aquele cujo governo deve ser entregue ao exercício de políticos eleitos pelo povo, vem sendo fragmentado e feito em varas, unidas por correias que formam o feixe armado de machado, para que se use do poder de vida e de morte sobre todos os cidadãos sob as ordens emanadas da vontade dos que o detém: ninguém estará acima da lei; todos estaremos desprovidos de proteção da lei.
Os governos eleitos democraticamente contrariam uma ordem secularmente estabelecida, resumível no mandonismo dos coronéis modernizados, sustentando os luxos e riquezas, distribuídos à farta entre os que se acomodam em seus gabinetes parlamentares, nos ministérios, nas togas que se transformam em símbolo de excelência. Como eles se sustentam? Eles são amparados, não mais pelo capital vindo de Amsterdan, mas por aquele que, mesmo depois de globalizado, ainda está concentrado nos Estados Unidos.
Ao lembrar-se disso, tenhamos cautela. Podemos lembrar de 1964 e perguntar: eles voltaram? Mas não nos esqueçamos de que não há mais nenhuma “guerra fria” a justificar a intervenção violenta de mariners na América Latina. O que há é a “guerra dos grandes interesses econômicos”, onde são predominante os da Máfia do Petróleo. Desnecessários comentários mais longos: todos nós assistimos “O Poderoso Chefão”. E a Máfia do Petróleo tem uma estória que vem se desdobrando por décadas e décadas, vivida em tantas partes do mundo. Por que não na América Latina, aquela que fica abaixo da Linha do Equador e onde não se pode pecar; não há pecado aqui?
Até mesmo membros da Maçonaria estão dispostos a abandonar seus segredos, desfilando em defesa dos privilégios, fazendo-se “rodadores de bolsinha” nas avenidas. Mas não os membros das “famiglias” senhoras do petróleo. Eles não aparecem nas páginas dos jornais ou nas mesas-redondas da televisão. A discrição marca as suas ações. Quando o presidente da Shell visita o Brasil, a imprensa noticia em linguagem quase cifrada: “O presidente da Shell, Ben van Beurden, posicionou a Petrobras como prioridade entre os investimentos globais da empresa. Em coletiva de imprensa para falar sobre a fusão com a BG, o executivo afirmou que o país está entre os três mais importantes onde investe. Em seguida, posicionou o Brasil como o “mais importante em nossa carteira”. Existem os procuradores defensores de seus interesses: o sombrio Jose Serra confabula com Renan Calheiros e faz uso de um Jucá, que assusta a um Governo desgovernado.


Os governos do PT, com Lula e depois com Dilma, provocaram temores e rancores. Mas não se praticou contra eles a violência, não se pretendeu negar o Estado de Direito. Isso passou a acontecer a partir do momento em que se definiram as regras para a exploração do petróleo do pré-sal. Se não eram regras de rigoroso nacionalismo, não entregavam tudo, e a Máfia do Petróleo quer tudo. Dilma Rousseff cedeu(ou teve que) demais da conta, com uma política econômica digna do PSDB de FHC e de Gustavo Franco. Mas relutou na entrega do pré-sal. Jucá foi à sua busca e o entregou nas mãos de Jose Serra. Hoje. o Governo rexiste e precisa sobreviver, para que se cumpra a Constituição e para que a Democracia sobreviva.
Os ministros Meirelles e Jucá não se propõem a qualquer empenho numa reforma tributária, que elimine ou reduza os privilégios que contemplam os mais ricos, pessoas físicas e jurídicas. Os jornalistas que acompanharam a fata da dupla ministerial, representando a imprensa, calados estavam e calados permaneceram: apenas um repórter perguntou sobre uma eventual reforma tributária. Para Jucá, isso não é problema de ministro, é assunto a ser resolvido no Congresso; quem sabe, sob comando de Cunha.
A dupla Meirelles & Jucá usou do tempo que lhes foi concedido pela imprensa para justificar a necessidade de uma política de “arrocho”, com a tão desejada eliminação de gastos sociais, e mais um aumento “temporário” da carga tributária. Completa-se o quadro com a intenção da “reforma da previdência social”, injustificável, quantificada com números mentirosos e planejada de forma obtusa e primária, compatível só mesmo com a alienação generalizada em Brasília – infelizmente,​não esqueçamos​, as ideias que agora do governo interino já foram defendidas pelos ministros da president​a​, não ​prosperand​o em função d​a rejeição radical por parte dos movimentos sociais.​ ​

Além desse objetivo, a mesma dupla tratou de utilizar seu tempo para sugerir a irresponsabilidade e incompetência, que seriam ​traços ​exclusivos dos governos petistas. ​ N​ão se preocuparam ​na ​ explica​ção​ ​d​o ​descontingenciam​ento​​ de R$ 21 bilhões, do total de R$ 44 bilhões que já tinham sido retidos pela Presidenta​,e​ ​nem chegaram a ​ comentar o aumento agora previsto de mais R$ 20 bilhões nas despesas. Voltemos a lembrar Guido Mantega.
À medida em que os pronunciamentos vão sendo feitos, ​fica claro o quadro que um otimismo feliz e irrealista ​impede​ ​que enxerguemos​. Não há governo interino do PMDB, mas a usurpação do governo pelos donos do poder, utilizando-se de figuras do PSDB. Jucá será o manobrista político de Henrique Meireles, o elo de ligação com o Congresso, controlado pelo PMDB (Eduardo Cunha, sombra mandante de Temer). Jose Serra​,​o orientador do processo que pretende rifar o Estado Nacional, muito mais descarado do que aquele procedido nos anos de FHC. Os homens do PSDB querem o poder político como meio para atingir os objetivos de liquidação da Petrobrás, do Banco do Brasil, do BNDES, da Caixa Econômica Federal: eles são os instrumentos da Máfia do Dinheiro. Eduardo Cunha estará satisfeito com o seu poder de régulo,suficiente para usufruir de um enriquecimento digno de um Salomão​.​ O PMDB, reforçando-se no “centrão”, estará consolidando o mandonismo coronelístico retrógrado.
Como chegamos a isso? Há sem sombra de dúvidas a coordenada e competente dos que visam lucrar com a liquidação do Estado brasileiro. Não só ele, mas a atuação do Instituto Millenium foi e está sendo fundamental, reunindo a disciplinando a ação de banqueiros, grandes empresários e donos da imprensa; e não se despreze a importância e as armas da Opus Dei. Hoje, é muito claro o controle e comando exercidos, não só no Parlamento, mas no Judiciário. Não basta a ação intempestiva e desequilibrada de um juiz de primeira instância (Sérgio Moro), mas existe a opção clara de boa parte dos ministros do STF pelo golpe (quase todos indicados pelos governos do PT). A Justiça Eleitoral está nas mãos dramáticas de Gilmar Mendes; e o TCU é dominado por velhos coronéis do PMDB.
Houve e há, inequívocos, erros, omissões e incompetências de um Governo que se fez e que foi enfraquecido. Há como reagir. Em que pese a omissão burocrática do PT, o povo vai ocupando as ruas, os jovens, os artistas, os intelectuais, a CUT, o MST, profissionais liberais. A figura antes distante e fria de Dilma Rousseff está sendo humanizada pelos que a traíram e pelos golpistas em geral. O que é mais do que nunca necessário: que Dilma Rousseff seja assessorada por competências, quando já não bastam os homens e mulheres “de confiança”.

Greve geral é utopia, totalmente teórica e inviável. Greve dos petroleiros: perfeito. Greve dos transportes públicos: altamente desgastante junto ao povo. Greve dos estudantes? Ótimo, desde que não termine com todos indo para a praia: ocupem os estabelecimentos e usem o espaço para atividades de discussão, esclarecimento, diálogo com a sociedade. Fazer passeatas de protesto contra a Globo? Repetir o que já foi feito e está sendo repetido? Seria viável obter o apoio efetivo de atores e atrizes que vendem seus serviços.
Não tenhamos ilusões, como as que foram alimentadas diante da ditadura de 1964, imaginando-se que teria duração curta, jamais supondo-se 20 anos de chumbo. Teremos que enfrentar um parto difícil e dolorido, pois não nos preparamos para ele, embalados pelos sucessos obtidos, mas que cegaram para os problemas que foram se acumulando.
O que fazer então? O que faltou?
1. Aceitou-se e justificou-se a política econômica neoliberal, que era programa do PSDB, e não do PT. Cometeu-se o erro grosseiro, aceitando a atuação de um Ministro empregado de um banco privado. Tivemos meses de justificativas equivocadas. Não será possível a repetição do erro e o povo precisa ser esclarecido, o que não se fez, tentando-se a validação da mentira.
2. A regulamentação da “mídia” é condição para que se realize a desintoxicação ideológica promovida pela televisão.
3. Os programas sociais precisam ser mantidos e aperfeiçoados. Precisam ser divulgados de forma eficiente, sem a conotação simplória que se usou com frequência. Organizados e fiscalizados.
4. A omissão diante do problema indígena é inaceitável, e muito menos ainda a prática de desrespeito sistemático aos camponeses, contando-se para isso com o apoio do MST.
5. O modelo agroexportador, justificando a ocupação ilegal de terras, o uso indiscriminado de agrotóxicos e a disseminação das sementes transgênicas, precisa passar por reformas radicais.
6. O desenvolvimentismo, que justifica a desumanização brutal, tem que ser substituído pelo planejamento de um desenvolvimento econômico e social.
7. A reforma política é condição para as demais reformas. Não se confunde com medidas paliativas e só será possível com uma nova Constituição.
Essa é uma listagem preliminar, incompleta e enunciada de maneira muito pouco refletida. Mas pode ser um ponto de partida. É preciso substituir a superficialidade e o dogmatismo dos slogans que, por mais que sejam repetidos, não se fazem realidade. E, tanto quanto a supressão de uma euforia das pequenas festividades, é preciso que se faça trabalho coletivo, de equipe e equipes. Sem isso, não andaremos à frente. Essa é a primeira questão, que fica em aberto, para a iniciativa das respostas possíveis, que não são uma só: como fazer grupos, organizados ou não como partidos políticos? Como planejar as nossas ações? Queremos construir o Brasil? Já perdemos muito tempo, isso é mais que evidente.

Do Império, o único a assumir o ridículo de pompas européias, ainda que ficando abaixo da Linha do Equador, o Brasil passou à República dos barões, os herdados desse Império de penas de papagaio que adornavam o manto imperial, e os do café. Por toda a Republica Velha, o Brasil não foi a pátria de seu povo, na verdade criando e consolidando o Estado Cartorial que perpetua o mandonismo dos coronéis. E depois dela, o que se realizou de diferente? Os governantes que se voltaram para o povo, Vargas, João Goulart, Lula, Dilma, foram negados, aviltados, perseguidos. Quando o Brasil será dos brasileiros?
Diretas já? O brado já ecoou pelo Brasil inteiro, quando as elites insistiam em usar o bridão e ordenar o “calem a boca”. O povo foi às ruas e praças, ouviu as lideranças políticas, foi traído pelo Congresso e abandonado pelos oradores de palanque. Mas aceitou Tancredo Neves, para sepultá-lo como herói nacional. Onde esteve o ato heroico? Quem foi vice-presidente de Tancredo Neves? O coronel José Sarney, empossado pela espada de um general e bem aceito como “pacificador”. O sepultamento de Tancredo Neves o colocava no altar dos santos patriotas. Os que fizeram a ditadura nos deram a “Constituição Cidadã” e ficamos felizes com ela, como sempre acomodados àquilo que já era conhecido. Muito complexa, pois, a relação “senhor-escravo”, até porque se criam liames psicológicos entre torturadores e torturados. Pode-se lembrar o “complexo de Escolmo”? Mas um filósofo já havia esgotado o tema ao mostrar a relação dialética entre senhor e escravo. O povo explorado aceita, em última instância a exploração, temendo a liberdade que nunca experimentou. Como explicar os votos concedidos a Eduardo Cunha e Bolsonaro?
Hoje, temos o mesmo clamor? Diretas já? E basta? O que isso pretende agora? Uma solução pragmática? Corre-se o risco de estarem sendo tramadas as condições para um novo golpe: Michel Temer seria mantido até 2017, quando, por ligação umbilical com a presidente que ele traiu, não eleito pelo povo, mas envolvido no mesmo processo eleitoral, estaria sujeito a pena idêntica: o afastamento. Deposto então, e enfim seria cumprida a Constituição, fazendo-se eleições indiretas … agora, muito a contra-gosto, teríamos que aceitar o que nos foi dado em 1985, então recebido com euforia: Tancredo Neves foi eleito de forma indireta, pela confraria dos quartel.

Diretas Já?

A pressão dos interesses econômicos será a mesma, exercida sobre os mesmos partidos e os mesmo políticos, sob ordem e comando do presidente do TSE, o senhor Gilmar Mendes. figura abjeta e capaz de toda e qualquer torpeza. Quem o possível escolhido pelo povo? Lula -2018? Uma hipótese tão simpática quanto improvável. E, se eleito Lula, governaria com o Congresso canalha, com o Judiciário canalha, com o TCU hipertrofiado pela incompetência de um Ministro da Justiça e manobrado por preposto do PMDB? Os donos do Poder Econômico, facilitados por incompetências toleradas pelo mesmo Lula, controlam o Congresso Nacional e o Poder Judiciário. Quem duvida continuidade da perfídia de Lewandowski?
Sem intransigência, afirmemos: Já temos presidenta. Não há espaço para eleições, negociação pobre e imoral dos explorados, estendendo a mão aos glutões: escravos acarinhados pelos seus senhores?
Nada decente será feito na companhia de Paulo Maluf, Jose Sarney, Collor de Mello, Renan Calheiros. A relação de canalhas é extensa,em contrapartida, haverá sempre mais gente honesta e competente.
O mais óbvio: Dilma Rousseff precisa governar, não só com a honestidade que lhe é intrínseca, mas com a competência política e administrativa que não lhe permitiram exercer os que seguiram a sanha de um dependente, acoitado no prestígio elitista de um acadêmico roto. Desde logo, pondo-se mesmo como governante de todos os brasileiros dignos.
Os criminosos de 1964 e dos anos de chumbo que se seguiram a ele não foram punidos com prisão, mas foram execrados. Que os de hoje sejam expostos também à execração pública. Há muito o que exigir do Partido dos Trabalhadores e de Lula. Respeito ao direito de receber o apoio de outros partidos políticos inspirados no povo, como o PCdoB. E o apoio de homens, como Roberto Requião, que fez ouvir a sua voz no momento necessário.
Dilma Rousseff, assessorada por gente de brio e competência, é a alternativa para um governo que se oriente por um projeto econômico viável e competente, pondo-se de lado definitivamente o modelo neoliberal que serve aos interesses dos banqueiros e rentistas. Sugestão: Carlos Lessa e Luis Gonzaga Belluzo, Celso Amorim. O Brasil precisa e pode ter um plano de desenvolvimento econômico e social, que dê aos programas incentivados por Lula a possibilidade de ultrapassar os limites de uma política “assistencialista”, permitindo a integração social da grande maioria marginalizada nas periferias e nas favelas.
Os anos anos de 2015-2016 não foram perdidos: Dilma tem hoje a maturidade política que a convida a ser a voz de dezenas de milhões de brasileiros.
Estamos sempre a indicar caminhos e exigir ações aos nossos governantes legítimos. Em poucos momentos nos damos conta das responsabilidades que nascem da cidadania. O exercício da cidadania é direito e obrigação: ela é que aponta para o caminho das ruas e das praças. O perigo representado pelos que utilizam o poder econômico para impor a ditadura só poderá ser afastado no espaço público. Brasília não é hoje espaço público, é o esconderijo das máfias. Dilma não ocupará sozinha o imenso espaço público, que deve ser o ponto de encontro seu com o povo. Um encontro que, e isso sim não pode esperar, deverá parir muito mais do que a repetição de slogans: são necessários planos de ação, habilidade política, competência de gestão, propostas que nos unam e que permitam o uso da justa força … sem jamais perder a ternura.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017



O ódio que motiva alguns políticos, como Aécio Neves e mesmo FHC, em parte decorre
da incapacidade de aceitação de uma rejeição natural de seus nomes pelo povo. Por
certo, a sede de poder, a vontade de exercê-lo em proveito próprio, mas o medo
imenso. FHC e seu séquito temem e muito uma continuidade de exercício do poder
pelo Partido dos Trabalhadores. Até agora, por força de algo que se assemelha a um
pacto de sangue, Lula apenas se referiu a uma herança maldita, sem explica-la. Se um
dia fizer isso estará apontando FHC à execração definitiva e definindo a extinção do
PSDB, pondo ponto final a carreiras indignas de muitos nomes políticos do primeiro
escalão

Por isso mesmo não suportam a ideia de um Lula na Presidência, da mesma forma que
seus pais não suportaram Vargas, o inventor de tudo isso. Lula surge, ele queira ou
não, saiba ou não, como o herdeiro daquele aventureiro vindo da fronteira, como Júlio
de Mesquita Filho referia-se a Getúlio Vargas.Esse é o segmento que não tem medo, que pode comprar e compra a autoridade e
que é fanfarrão. Essas figuras desaparecerão na medida em que o segmento social
onde se instalaram seja reincorporado à ordem de uma sociedade ética. E por isso
mesmo, alimentam ódio mortal pelo PT, um ódio que nasceu junto com as primeiras
administrações petistas. De um gestor municipal ligado a Paulo Salim ouvia-se a
exclamação: “aquela vaca (Luiza Erundina) era 100% honesta”. São os gentis moços e
moças que dirigem automóveis cada vez maiores e mais altos e que estacionam, em
ato de autocrítica, nas vagas destinadas a deficientes.
Esses são os que não aceitam a ascensão da classe operária e a integração social dos
milhões que viviam à margem da sociedade. O “oportunismo” liga essa gente à típica
burguesia nacional, aquela que concebe o lucro exatamente como somente é possível
através de pequenas, médias e grandes espertezas, explorando seus funcionários,
comprando e vendendo sem nota, subornando e se deixando subornar.
A burguesia brasileira, passando muito rapidamente pelo capitalismo industrial, logo
tornou-se rentista, acomodada à entrega da indústria aos enormes grupos
multinacionais, negando-se ao risco e não tendo conseguido transformar o patrimônio
em capital. Ainda que por caminhos diferentes, são grupos sociais formados por gente
enamorada do próprio umbigo. O “lulismo” é, para eles, o desafio da igualdade social, a
defesa dos direitos dos assalariados, como se “essa gente” pudesse ter direitos. Estão
convencidos de que o Brasil não exporta e não fica rico por causa de um fantasma, o
“custo brasil”, causado pelos salários que são obrigados a pagar, os “direitos
trabalhistas” excessivos, com férias, descanso semanal. 13°salário, Fundo de Garantia e INSS