sexta-feira, 20 de janeiro de 2017



O ódio que motiva alguns políticos, como Aécio Neves e mesmo FHC, em parte decorre
da incapacidade de aceitação de uma rejeição natural de seus nomes pelo povo. Por
certo, a sede de poder, a vontade de exercê-lo em proveito próprio, mas o medo
imenso. FHC e seu séquito temem e muito uma continuidade de exercício do poder
pelo Partido dos Trabalhadores. Até agora, por força de algo que se assemelha a um
pacto de sangue, Lula apenas se referiu a uma herança maldita, sem explica-la. Se um
dia fizer isso estará apontando FHC à execração definitiva e definindo a extinção do
PSDB, pondo ponto final a carreiras indignas de muitos nomes políticos do primeiro
escalão

Por isso mesmo não suportam a ideia de um Lula na Presidência, da mesma forma que
seus pais não suportaram Vargas, o inventor de tudo isso. Lula surge, ele queira ou
não, saiba ou não, como o herdeiro daquele aventureiro vindo da fronteira, como Júlio
de Mesquita Filho referia-se a Getúlio Vargas.Esse é o segmento que não tem medo, que pode comprar e compra a autoridade e
que é fanfarrão. Essas figuras desaparecerão na medida em que o segmento social
onde se instalaram seja reincorporado à ordem de uma sociedade ética. E por isso
mesmo, alimentam ódio mortal pelo PT, um ódio que nasceu junto com as primeiras
administrações petistas. De um gestor municipal ligado a Paulo Salim ouvia-se a
exclamação: “aquela vaca (Luiza Erundina) era 100% honesta”. São os gentis moços e
moças que dirigem automóveis cada vez maiores e mais altos e que estacionam, em
ato de autocrítica, nas vagas destinadas a deficientes.
Esses são os que não aceitam a ascensão da classe operária e a integração social dos
milhões que viviam à margem da sociedade. O “oportunismo” liga essa gente à típica
burguesia nacional, aquela que concebe o lucro exatamente como somente é possível
através de pequenas, médias e grandes espertezas, explorando seus funcionários,
comprando e vendendo sem nota, subornando e se deixando subornar.
A burguesia brasileira, passando muito rapidamente pelo capitalismo industrial, logo
tornou-se rentista, acomodada à entrega da indústria aos enormes grupos
multinacionais, negando-se ao risco e não tendo conseguido transformar o patrimônio
em capital. Ainda que por caminhos diferentes, são grupos sociais formados por gente
enamorada do próprio umbigo. O “lulismo” é, para eles, o desafio da igualdade social, a
defesa dos direitos dos assalariados, como se “essa gente” pudesse ter direitos. Estão
convencidos de que o Brasil não exporta e não fica rico por causa de um fantasma, o
“custo brasil”, causado pelos salários que são obrigados a pagar, os “direitos
trabalhistas” excessivos, com férias, descanso semanal. 13°salário, Fundo de Garantia e INSS