quinta-feira, 16 de março de 2017

MAURICE RAVEL

Atualizado: há cerca de 3 anos
Um dos grandes compositores que marcaram o século XX. Aprendeu a amar a liberdade com Satie, mas a auto-confiança com os russos, com a sua curiosidade modal, ritmica e harmônica. Sempre lembrado em função de Bolero (1928), mas compositor de muitas obras que merecem e precisam ser ouvidas.


SACI EXISTE SIM

Atualizado: há cerca de 3 anos

Fiquei sabendo sobre o Saci através de Monteiro Lobato. Tornou-se meu herói. Queria ter um deles, a qualquer preço. Armei-me da peneira adequada, a de xxx e esperei dia de vento com redemoinho. Faltou-me engenho e arte e não consegui nenhum resultado.
Muitos tempos passados, minha amiga Márcia Camargos me apresentou a cidade dos sacis, São Luiz do Paraitinga.

E continuo tendo a certeza: Saci é mais.
EUGÊNIO GUDIN: (1886-1986): engenheiro, foi quem deu feitio à Fundação Getúlio Vargas. Representou o Brasil em Bretton Woods. Como professor, formou gerações de economistas ortodoxamente monetaristas. Combateu o quanto lhe foi possível a CEPAL e Celso Furtado. Por sua ideologia reacionária, foi escolhido para Ministro da Fazenda do governo efêmero de Café Filho. Deixou um triste legado: o desconto do Imposto de Renda na fonte para os assalariados.
Monetarista rígido, polemizou longamente pela imprensa, contra a CEPAL e contra Celso Furtado. Defensor intransigente do capital estrangeiro, mantendo com ele relações íntimas.


OCTAVIO GOUVEIA DE BULHÕES (1906-1990): seguidor de Gudin, um neoliberal convicto. Advogado. Ministro da Fazenda de Castelo Branco. Estudioso, sério, Conservador por força da geração, aluno de Eugênio Gudin.

ROBERTO CAMPOS (1917-2001): apresentava-se como pós-graduado pela Universidade George Washington. Opunha-se duramente ao pensamento da CEPAL, mas foi o primeiro presidente do BNDE; deixando esse cargo, foi o primeiro a praticar em alta escala a administração administrativa no Braisl  lobby).
Pai do Plano de Metas, deu ao governo JK o seu caráter desenvolvimentista internacionalista, abrindo a economia nacional aos grupos internacionais.
Embaixador de João Goulart, foi um dos conspiradores mais importantes a partir de 1963. Ministro de Castelo Branco, teve como primeiro ato revogar o texto legal de disciplina dos investimentos estrangeiros no Brasil, que Jango havia assinado em 1962. 
Deixado de lado pelos ditadores que se seguiram, fez-se político, congressista. Em 1985 lutou por uma Constituição neo-liberal ao extremo.


CELSO FURTADO (1920-2004): formado em Direito, soldado da FAB, doutorou-se em economia na Sorbonne. Trabalhou com a CEPAL na criação do BNDE. Preterido por Roberto Campos, teve o seu projeto de planejamento preterido em favor do "planejamento de circunstâncias" de Roberto Campos. Foi lembrado pelos governantes em momentos críticos: por JK, diante do drama da seca do Nordeste, quando implantou a SUDENE; e por Jango, por pressão dos Estados Unidos, para governar com um plano, convocando então Furtado, que elaborou o "Plano Trienal". 
Celso Furtado foi incluído no primeiro lote de cassados de 1964. Lecionou no exterior e mais tarde no Brasil. Autor de livros clássicos, como "Formação Econômica do Brasil" e "Desenvolvimento e Subdesenvolvimento."
Celso Furtado foi odiado pelos coronéis do Nordeste e menosprezado pela esquerda miope. O seu "Plano Trienal" foi o projeto mais correto proposto para oBrasil.


DELFIM NETO (1928 - ): tem uma biografia suficientemente conhecida. Formou-se em economia na USP, onde lecionou e formou uma geração de economistas. Assinante do AI 5, ministro da Ditadura em momentos diferentes.
Foi o homem da Camargo Correa e depois da FIESP, do desenvolvimentismo irresponsável de Mario Andreazza e das obras faraônicas. Eternamente de cabelos pretos e próximo do Poder. Assessora o governo do PT.

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES (1930-) matemática e depois economista, formada já no Brasil. Pela sua inteligência, formação e amor à verdade, tornou-se a crítica mais lúcida da politica econômica no período da ditadura e depois a da modernização globalizadora do período FHC.

LUIZ GONZAGA BELLUZZO (1942-): forma com Maria da Conceição Tavares a dupla que critica com lucidez o neo-estruturalismo de Lara Resende e outros.Professor da Unicamp e fundador da Facamp, assessorou sempre os governos do PMDB.

João Cardoso de Mello. Escreveu um texto clássico: "O Capitalismo Tardio".. O grande nome do Depto.de Economia da Unicamp. Orientador da tese de Dilma Rousseff. É criador e comandante da Facamp, empenhado na luta por uma Constituinte.

LARA REZENDE (1951): cursos no exterior.
Fundou os bancos de negócios Garantia e Matrix. Presidente do BNDES, cargo que precisou desocupar em função do escândalo dos telefones, envolvendo o próprio FHC. Destacou-se como defensor do confisco da poupança popular, no projeto econômico de Collor de Melo. Processado por improbidade administrativa, com seu amigo e sócio Luiz Carlos Mendonça de Barros.

PERSIO ARIDA (1952): considerado um tonto por Delfim Netto, e é mesmo, rotulando-se um "heterodoxo". Doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology - MIT, criador de bancos de negócios. Sua peripécia maior: fez um casamento de associação do público com o privado, com Elena Landau, coordenadora do programa FHC de privatizações: ela privatizava e ele aproveitava.

EDMAR BACHA (1942): colaborou na "privatização", como presidente do BNDES. Doutorou-se por Yale. Um dos inspiradores do Plano Real, opera hoje a "Casa das Garças".

ARMINIO FRAGA (1957): formado em Princeton, foi presidente do Banco Central entre 1999-2003 - nesse período registrou-se a inflação anual média de 8,78%, muito mais do que ele agora prega.

GUSTAVO FRANCO (1956): egresso da PUC/Rio de Janeiro, onde lecionou. Doutor por Havard. Professor e autor de vários textos de economia. Dirigiu o Banco Central, de onde foi defenestrado por incompetência. É o mais falastrão dos "neo-estruturalistas".

 PEDRO MALAN (1943 - ): Ministro da Fazenda de FHC, economista formado em Berkeley.

DANIEL DANTAS (1954 - ): um dos membros da quadrilha de FHC com melhor formação acadêmica: engenheiro formado pela UFBA, pós-graduado peal FGV e pós-doutorado pelo MIT. Tem uma capacidade intelectual que falta aos"neoestruturalistas". Muito mais esperto que os outros, ganhou muito mais, arriscou muito mais.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS (1943): o mais velho e o maior dos bandidos de FHC: o temerário. Engenheiro pela USP e doutor em Economia pela Unicamp. Associado à Corretora Patente e ao Banco Matrix. Sócio de Reinaldo Azevedo. Expulso da presidência do BNDES por patifarias no programa de privatizações e processado por improbidade administrativa. Assessor de Jose Serra e Geraldo Alckmin, notabilizou-se por prever a derrota de Dilma Rousseff e a "crise" da economia brasileira.
Não tem governantes, não tem presidente. Nós também não temos. O povo brasileiro está nas mãos de cínicos, corruptos e ladrões. A Vale ganhou em 2002 o "Nobel da Vergonha", a pior empresa no Mundo. Mas a Presidenta não sabia de nada, embora hoje a mineradora seja propriedade, não do Estado Brasileiro, mas dos governantes que mandam na "cosa nostra". O Brasil precisa começar de novo: num inferno dantesco, os três Poderes tornaram-se igualmente sórdidoos. Os TRÊS PODERES.


A REPÚBLICA DOS ECONOMISTAS

Atualizado: há cerca de 3 anos
té o final da II° Guerra Mundial, a gestão da coisa pública era feita por políticos, de alguma maneira eleitos pelo povo, ou escolhidos pelo bico de pena, mais o longo período de Estado Novo. Mas eram políticos, quase sempre formados nas Escolas de Direito: a República dos Bacharéis.

O primeiro economista a ter destaque foi Eugênio Gudin, que representou o Brasil em Bretton Woods, deu forma à Fundação Getúlio Vargas, monetarista ortodoxo, que formou gerações. Ministro da Fazenda de uma farsa de governo, a de Café Filho. A partir de 1950 os economistas ganharam expressão na administração dos dinheiros públicos, destacando-se o papel desempenhado por Roberto Campos, pai do Plano de Metas.

Grosso modo, podem ser colocados numa geração seguinte:Celso Furtado, Delfim Netto, Maria da Conceição Tavares, de onde vieram, com mais destaque, Luis Gonzaga Belluzzo e João Manoel Cardoso de Mello.

Com o PSDB e a vitória da ideologia da globalização modernizadora chegaram: André Lara Rezende, Persio Arida, Edmar Bacha, Arminio Fraga, Gustavo Franco. Muitos traços em comum: quase todos nascidos depois de 1950, formados e/ou doutorados em universidades norte-americanas, dotados de dinamismo que lhe permitiu um revesamento entre cargos chave na administração da República, como o Banco Central, o Bando do Brasil, o BNDES. Geriram a coisa pública de forma a ela tornar-se coisa privada, possivelmente digna da Cosa Nostra e da Máfia.

Com os governos do PT, o reinado dos economistas que se auto-denominaram "neo-estruturalistas" terminou ou, pelo menos foi interrompido. O Estado, já enfraquecido pelos neoliberais de FHC, contentou-se em manter um personagem de confiança, responsável pelo diálogo com o sistrma financeiro internacional privado: Palocci, Guido Mântega, esses serviram e servem bem. O único economista de expressão no período petista, foi logo defenestrado.

SR. UMA SENHORA REVISTA

Atualizado: há cerca de um ano
SR. UMA SENHORA REVISTA
Em 2012 a Imprensa Oficial do Estado apresentou em edição de luxo SR. Uma senhora revista, produzida a partir do trabalho gigantesco de Maria Amélia Mello, que foi capaz de pescar os 59 números da revista, e com a organização de Ruy Castro. São dois volumes, o primeiro com os depoimentos de gente que participou dessa aventura; o segundo com matérias extraídas desses 59 números, que cobriram o período de março de 1959 a janeiro de 1964.
A primeira equipe foi dirigida por Nahum Sirotsky, com a participação de Paulo Francis, Luis Lobo e Carlos Scliar.
Uma revista mensal aguardada com ansiedade. SENHOR foi o fruto mias bonito e mais cuidado da imprensa brasileira. Colaboradores de primeiríssima linha, apresentando praticamente Clarisse Lispector aos leitores e permitindo-se a publicação de um conto ooiriginal de Guimarães Rosa, esquecido o nome do autor, que não foi mencionado. Graficamente, o que ja foi feito de melhor e mais inteligente no Brasil.
Estiveram presentes aos seus 59 números, entre muitos outros famosos: Antonio Carlos Jobim, Antõnio Maria, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Scliar, Clarisse Lispector, Darcy Ribeiro, Fernando Sabino, Flávio Rangel, Fortuna, Lucio Rangel, Marques Rebelo, Millor Fernandes, Odete Lara, Odilo Costa Filho, Otto Lara Resende, Otto Carpeaux, Paulo Francis, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Sérgio Porto, Sergio Rodrigues, Vinicius de Moraes, Zuenir Ventura.
SENHOR foi a revista de uma geração que se preparava para um Brasil desenvolvido, industrializado, justo, capaz de crescer em dignidade. Os que faziam a revista estavam fazendo esse Brasil. Esse foi o aborto execrável de 1964

ICONOGRAFIA POLÍTICA: OS DEDOS

Atualizado: há cerca de 3 anos
Carlo Ginzburg, em "Medo, reverência, terror", nos apresenta um ensaio sobre a convocação SEU PAIS PRECISA DE VOCÊ. Em palavras mais simples: "como falam os dedos dos homens públicos, os políticos".

Lord Kitchener, governador militar no Egito, 64 aos, figura lendária de militar duro, foi chamado a zela pela Inglaterra, ao início da I° Guerra Mundial. Sua figura foi estampada nos milhares de cartazes que convocavam os britânicos à luta: o olhar do marechal assemelhava-se ao que seria o olha da Esfinge. Segundo Lady Asquith, "um pobre de um general, mas um maravilhoso cartaz." O dedo enorme, fazendo chamamento que é uma ordem, foi copiado: nos Estados Unidos, na Rússia, na Itália, na Alemanha. O dedo em riste é acompanhado de olhar severo, criando-se uma imagem que infunde pavor, distanciamento hierárquico, imposição da submissão.

Os políticos usam a língua, as feições do rosto e as mãos. Os brasileiros não são diferentes. Há os que apontam o dedo, crispando a cara fingida: nos tempos de hoje, exigindo que se acredite em sua inocência. Há os que trabalham com todos os dedos, embaralhando a vista de seus eleitores, como num fazer mágica primária, de faz-de-conta mentiroso. Assim foi e é, em todas as partes.
Os farmacêuticos foram desbravadores do interior do Brasil, chegando antes dos médicos, fazendo as vezes deles, receitando, manipulando remédios, fazendo paertos e salvando animais. 

Eram comerciantes na competência para satisfazer aos clientes, não para enganá-los. Jà em tempos passados surgiam as primeiras grandes redes de farmácias: a Drogasil, a Drogadada. Hoje existem praticamente só as redes, self-service, impessoais, ningúém servindo ninguém.

Com muito cabimento, criou-se a 
obrigatoreidade de toda farmácia atender ao público, com um farmacêutico de plantão. Não existe escritório de advocacia sem advogado, nem consultório medico sem médico. Essa obritoriedade valoriza a profissão do farmacêutico e trnsmite segurança aos que vão a uma farmácia.
Os que estão pregando a Cruzada pela Moral são os maiores bandidos da República. Eis uma primeira relação-delação desses criminosos, os que acreditam que todos os crimes, especialmente os seus, são impunes. Para cada contemplado com uma foto há uma brevíssima biografia. 
JOSE SERRA: o grande orientador da operação "privataria tucana". Saqueou o Ministério da Saúde e prosseguiu em São Paulo, mas a CPI, que poderia apurar os seus crimes, foi arquivada, com a colaboração do PT, em muitos momentos sócio menor do PSDB. Prepara-se agora para o maior negócio de sua vida: vender a Petrobrás.

ALOÍSIO NUNES: o senador dos bandeirantes, uma vez consumado o golpe, será a massa cinzenta do desgoverno acéfalo de Michel Temer. De motorista de Marighella, hojje é procurador da Máfia do Petróleo.
ROMERO JUCÁ: senador de Roraima (quem adivinharia/), grande vocação para a prostituição, já serviu a todos, iinclusive como ministro de Lula e depois de Dilma Rousseff. Enquanto presidente da FUNAI, Jucá foi quem mais demarcou territórios indígenas ianomâmis, frequentemente reduzindo seus tamanhos. Jucá reduziu o tamanho do Parque Yanomami para quase 75% dos 9,4 milhões de hectares que já haviam sido aprovados pela própria FUNAI em 1985. Foi ainda durante sua presidência que todos os missionários e pessoal médico foram expulsos da área em 1987. Entre março e julho de 2005, foi ministro da Previdência Social, mas, por conduta suspeita de corrupção, com empréstimos bancários irregulares, foi exonerado poucos dias depois.

ZEZÉ PERRELLA: especialista em aeronáutica civil traficante de cocaína, zomba do País com sua cara de bandido e fala própria de cela de penitenciária. Senador pelo falecimento de Itamar Franco, é um doso líderes da banda-poodre das Alterosas, sob comando de Aécio Cunha. Até como dirigente de clube de futebol cometeu roubos e foi coondeando por isso. Um dos maiores abortos nessa política nacional que está se fazendo um imenso cemitério de "anji nhos".

CAIADO DE CASTRO: frequenta o senado, embora não seja um ser humano, é uma voz oca e tonitroante. Perfeito representante de uma família de pistoleirios. Durante a configuração do Estado de Goiás e da construção de sua capital digladiaram-se ideológica e politicamente as famílias Caiado e Ludovico. A primeira sempre se definiu como "jagunceira", bandida e centrada em suas propriedades como se fosse o centro do universo. Membro de família exploradora de trabalho escravo.
CASSIO CUNHA LIMA: Hoje vociferando discursos em nome da ‘ética’, Cássio Cunha Lima (PB) já foi cassado pelo TSE, quando governador, por abuso do dinheiro público. Condenado, só assumiu cadeira no Senado, depois de perdoado pelo STF, por ter mãos sujas. Com um currículo tão frágil, por que o senador se sente confortável para pedir moralidade sem ser questionado?