domingo, 26 de março de 2017


26\03\2017

O congresso que emergiu das urnas em 2014 foi o mais reacionário dos últimos 50 anos, e o PT hoje, depois do golpe, tem apenas 1/7 dos parlamentares desse congresso; e a esquerda toda não chega hoje aos 20%.
Só para comparar e ver que as proporções nunca foram muito melhor do que isso, lembremos que nos governos de Lula o PT tinha só 1/6 dos parlamentares; e o conjunto da esquerda, no seu melhor momento, chegou a ter apenas 32% de parlamentares no congresso.
Portanto, podemos ver que a maioria dos erros que hoje criticamos ao PT são os de uma coalizão entre partidos de esquerda e de centro-direita que governaram o país nesses últimos treze anos. O judiciário carrega a ideologia das classes dominantes e nem o Lula nem a Dilma conseguiram produzir nenhuma mudança nesse meio.
Isto se explica ao vermos que o Lula chegou ao poder como um líder da esquerda que conseguiu negociar um bom acordo com a direita, o que foi muito claro na primeira eleição e se plasmou na Carta aos Brasileiros; e foi por isso - e só por isso- que finalmente conseguiu Lula vencer depois de três tentativas fracassadas. Foi quando Lula e o PT incluíram a direita na candidatura que a esquerda conseguiu vencer a eleição presidencial. Lula continuou sendo um sindicalista - esclarecido e altamente politizado- representante direto das classes trabalhadoras a negociar com dureza com os “patrões” ao nível federal; mas mesmo assim, a chegada da esquerda ao poder nunca significou uma verdadeira modificação, um giro substancial das antigas relações de força no Brasil. E isto não é bom nem ruim, criticável ou censurável:
simplesmente é a realidade; o que aconteceu e provavelmente não poderia ter acontecido de outro modo.
Nesse cenário, a única opção que surge para os próximos anos é o retorno de um Lula, um PT e uma esquerda reciclados, com propostas para a retomada do processo interrompido em 2016. A direita no poder sabe que essa é a única solução para o país e tem pressa para transformar esse interinato em uma rápida força tarefa do trabalho sujo que as classes dominantes precisam. Mas sabem que o povo vai reagir e a única saída é a que já se esboça nas pesquisas eleitorais para 2018.
O governo Temer, muito provavelmente, vai viver os próximos meses mal-assombrado pelas ameaças de cassação, produzindo algumas reformas regressivas mais ou menos duras, acuado pelas facções mais liberais e "estruturais" do capitalismo - como a Fiesp, Fierj e FeBraBan- e suas expressões mais fieis, o PSDB e o DEM; e ainda var definhar cercado por uma crescente impopularidade.
Enquanto isso, o sistema político vai se organizando para providenciar uma absolvição branca "à italiana" aos líderes dos partidos mais importantes envolvidos nas denúncias. Isso é o que aparece bem no fundo da frase de Aécio sobre a necessidade de "salvar a política". Mas, como seria possível armar uma anistia que deixasse nada menos que o Lula fora, e que ao mesmo tempo garantisse o Alckmin que também seria anistiado para arraçar com os outros tucanos que hoje apoiam descaradamente o Temer (Serra, Aloysio e Aécio) e, apoiado na vitória municipal de Dória em 2016, apresentar-se como a única opção "séria" e blindada da direita mais orgânica - até hoje ao menos- no cenário nacional.