domingo, 16 de abril de 2017

É terrível – como às vezes se observa na esquerda depois de uma derrota – desprezar eleitores pobres ou trata-los como manipuláveis ou ignorantes se eles não votam da forma esperada. Essa mentalidade apenas exacerba a divisão e torna o sucesso ainda mais difícil. Se um partido falha em atrair os eleitores que ele pensa que deveria atingir, parte da culpa pode ser atribuída a uma mídia injusta e parcial, ou a táticas sujas dos oponentes, ou a condições econômicas além do controle. Mas apenas parte. É preciso que se faça, antes de mais nada, o exercício da modéstia, que permita a autocrítica.
O grande fracasso do PSOL em seu reduto político frente a um candidato fraco, radical e sectário não se deu por conta de candidatos inferiores. Muito pelo contrário. Freixo é um político dedicado, talentoso e perspicaz, com um longo e inspirador histórico às causas sociais. A feminista escolhida para ser sua vice, Luciana Boiteux, é uma advogada e professora de direito inteligente e sofisticada que melhorou como oradora e liderança política durante a curta campanha. O problema enfrentado pelo PSOL é estrutural, institucional e cultural: como expandir-se além de sua base eleitoral dedicada, porém limitada, composta primordialmente por intelectuais bem educados, com estabilidade financeira e, em sua maioria, brancos da Zona Sul, e pelos jovens? Então? Como o PSOL convenceria pobres, trabalhadores e moradores de favelas, de que suas condições de vidas seriam melhoradas por um governo de esquerda, e como convencê-los de que os líderes do partido compreendem isso e, portanto, podem lidar com os problemas graves e sistêmicos que enfrentam?
Freixo perdeu esmagadoramente na Zona Oeste. Eleitores da classe trabalhadora e residentes de favelas fora da Zona Sul simplesmente deram as costas para a esquerda. Em outras palavras, os próprios eleitores a quem o programa político do PSOL tenta atender são aqueles que se sentem mais distantes do partido – e são muitas vezes hostis a ele. O que interessa a esses eleitores? Segurança de emprego, segurança no seu bairro, assistência médica confiável, escola. Não se incluem entre as suas preocupações: legalização do aborto, descriminalização das drogas, defesa da Petrobrás.
Um partido não tem o apoio de segmentos mais pobres da população e de minorias, a menos que esses grupos se vejam representados na liderança e nas candidaturas do partido. O PSOL avançou nesse sentido: um de seus mais renomados deputados, Jean Wyllys, foi criado em condições de extrema pobreza, e dois de seus novos vereadores: Marielle Franco, quinta vereadora mais votada, e David Miranda. Mas é muito pouco, ainda que aponte para uma boa direção, numa estrada onde o PT vai caminhando na contramão. Há no Brasil um imenso vazio, que separa o mundo erudito do mundo popular. São duas culturas que se afastam cada vez mais, na mesma medida em que segmentos sempre maiores da população são marginalizados nas periferias das grandes cidades, submetidos a um processo de empobrecimento alimentado por formas de cultura massificadora. A cultura erudita tornou-se cada vez mais a cultura das minorias privilegiadas. A grande massa dos brasileiros, formada de analfabetos e analfabetos funcionais, é portadora de uma cultura que se transmite oralmente, mas que é aquela definidora de suas formas de sentir, pensar e agir, expressando-se na sua culinária, nas festas, na linguagem, criando ritos de passagem, dando dimensão prática e utilitária à religião. Os políticos e os partidos políticos pertencem ao mundo erudito. Onde estará a ponte que permitirá a comunicação entre as duas margens? Essa ponte ainda existe?
Lula foi capaz de criar e transformar o PT em uma grande força política de esquerda porque a base de apoio do partido era composta pela classe pobre e trabalhadora, e a partir daí seu apelo se estendeu a outros grupos. Isso foi possível porque as lideranças do partido, começando pelo próprio Lula, foram capazes de entender instintivamente seus eleitores e tinham credibilidade para dialogar com eles porque pertenciam a esses grupos. Não foi necessário inventar estratégias de comunicação ou teorias abstratas sobre como conquistar essa parcela do eleitorado; a liderança e os candidatos do PT cresceram nas comunidades que serviram de base eleitoral do partido. Em resumo, o PT nasceu com o Lula metalúrgico, falando como metalúrgico, vestindo-se como metalúrgico, pensando como metalúrgico. Lula foi um metalúrgico do ABC paulista. Freixo não foi um metalúrgico.
E o pentecostalismo fala a língua dos oprimidos, dos marginalizados. Os seus pastores e bispos são preparados para isso. Falam as palavras que o povo quer ouvir, quando quer, onde quer. Não se trata, por certo, de copiá-los, mas de examiná-los, descobrindo-se o que? como? quando? onde conseguem ser ouvidos? Crivella é o filho preferido de Edir Macedo, aquele que impõem respeito com o tamanho e o mau-gosto descomunais de um Templo de Salomão. Não se trata, por acaso, de uma adoração do bezerro-de-ouro? Moisés puniu a heresia com a morte de centenas deles, isso é o que nos conta a Bíblia. Certamente, não é esse o caminho nos nossos tempos. Mas é preciso atravessar o mar que hoje nos separa do povo brasileiro.
E sobre o artigo de Glenn Greenwald: "Comentamos sobre o mesmo tema, mas sob a minha perspectiva e abordando pontos que não estavam sendo considerados. Não há nada que desmereça o que está no artigo do Grennwald, muito menos o seu autor. Mas, confirma em termos a tese: as esquerdas não unem, lutam entre si. Enfim: ideias e constatações não são privilégios de ninguém e nem são patenteáveis”.

16\04\17

"DO ÓDIO QUE NOS ASSOLA - Não se vê como fugir da triste realidade. Tal como se deu em países como a França ao tempo em que esteve sob presença de alemães invasores, há uma imposição da dignidade de haver rebeldia. Lá pessoas eram tachadas de colaboracionistas por sua posição de aceitação e submissão. Ficou a sociedade dividida entre quem mantinha sua dignidade e patriotismo e os que vendiam suas almas para ter vantagens junto aos algozes que estavam no mando. Aqui, desde a articulação vexaminosa de ministros do STF, conluiados com a canalha que jurara (já sob soldo americano) que tudo fariam para impedir a governabilidade de Dilma, forçando-a por meio do legislativo, tudo deu-se nesse rumo. Pátria? Que seria isso? Existe alguma decência quando ministros judiciais são pelo golpe - ao arrepio da lei? Implantou-se pela natureza do caráter de cada um o asco aos colaboracionistas brasucas. Nas rodas sociais, nas famílias e no âmbito de qualquer setor onde mais pessoas troquem palavras desde os condomínios ou local de trabalho. Os indiferentes são por si ajudantes dos que traem o país já que a ação deletéria não tem censura ou contrariedade deles. Aos que prezam o país e que assistiram o golpe com participação de nossos recursos de socorro social - justiça, polícia, legisladores e até alguns considerados cultos - sobrou o pasmo e desencanto de ver nosso país vendido em seu patrimônio e futuro que se desenhava. A dor dos dignos foi avassaladora por terem tido uma década de progressiva recuperação social e econômica e, de repente, pela ação de vendilhões ver tudo se perder foi dose! Dose de veneno às expectativas que se derramam sobre os descendentes. Como conciliar esse sentimento que vem da alma e da dignidade com eventual hipocrisia de tratar aos demais quando não se consegue sopitar a amargura? Gerou-se assim o ora explicito impulso que nos faz pensar em separações,divisões e muito sentimento que será criador de preconceitos pela inadmissibilidade de aceitação da venda de nosso país. Se ficarmos sob coturnos nacionais ou não, roubando-nos por ordem dos EUA, será difícil, muito difícil, a reconciliação nacional. Não temos perspectivas de auxilio de fora como tiveram os franceses para expulsar os invasores. Enquanto houver um pingo de vergonha, os brasileiros com dignidade estarão estigmatizados pela dor de ver seu país sob jugo e com colaboração de seus concidadãos. Triste e desolador. Sem bombas fomos capitulados por nossas defesas. Tudo por $$$." É como define meu amigo...
16\04\17

PAÍS DA PIADA PRONTA
Essa frase de um humorista da mídia parece que veio para ficar. Conta a anedota que um certo conquistador de cidade do interior estava tendo romance adúltero com a esposa do barbeiro e este, sob desconfiança, estando a barbear o conquistador quis fazer uma prova e lhe diz - Ouvi dizer que você tem sucesso com mulheres e tem conquistado muitas... e o ora freguês, que sentia a lâmina da navalha em seu pescoço em manejo pelo barbeiro,prontamente responde - Quem, eu? Nada disso, eu até que sou meio 'fresquinho'... e logo saiu do salão sob o pavor da situação. Aqui no nosso Brasil essa piada parece ser endêmica. Quando as personagens são chamadas a responder por suas ações ou deveres: AMARELAM. Já presenciáramos em 1964, quando os americanos deslocaram uma força naval para impor seus caprichos ao país, nossos valorosos fardados foram logo dizendo...-não precisam fazer nada! nós mesmos damos o golpe, basta dizerem o que querem! E fizeram tudo o que lhes foi mandado... Agora, em nova fase de progresso do país tivemos êxito em pesquisas e nos tornamos modelo em extração de petróleo de camadas no pre-sal. Novamente os mesmos ávidos vizinhos do Norte torceram o nariz e qual lobo da fábula de Esopo ou La Fontaine, ameaçou - vamos nós retirar esse petróleo! Já prepararam um juiz com suas doutrinas e instruções para convulsionar o meio de campo e avisaram - nosso juíiz é intocável, quem não quiser aceita-lo será preso. Imediatamente todo o corpo togado, embora superior na estrutura da casta passou a lhe render homenagens/vassalagem. Para não haver dúvida do acatamento às ordens, as fardas todas ofereceram suas valiosas e raras em concessão, medalhas que honram toda sua glória e bravura! Isso feito, bastou distribuir funções - um ministro a se conluiar com pelego para programar o golpe e arrecadar meios que serviriam para disfarce, via fiesp sempre fiel a essas causas, e dar álibi aos outros que continuariam 'probos e respeitáveis'. No julgamento, ajeitado, já que não havia lei a estabelecer, o próprio presidente daria o ar de sua graça, cronometrando falas dos capachos adrede comprados pelos dólares de sempre (como em 64), e com ar 'blase' diria que o Direito seria o que os beócios em ódio quisessem... quase dizendo - eu? dizer o Direito? Até que sou meio fresquinho!